POV: SKY BITTENCOURT
Rocco soltou um som rouco no fundo da garganta, mas não recuou. O choque inicial dele durou menos de dois segundos; logo a mão grande e quente subiu da cama direto para a minha nuca, enroscando os dedos grossos no meu cabelo ruivo ainda meio úmido e puxando a minha cabeça para aprofundar o contato.
Abri os lábios, sentindo a língua dele invadir o meu espaço com a dominância de sempre. Tinha gosto de descanso, hálito quente e aquela eletricidade pesada que sempre arrepiava a minha nuca.
Eu estava deitada de lado, vestindo apenas uma camiseta preta dele, enorme, que cobria meu quadril e parava na metade das minhas coxas grossas. O tecido de algodão gasto era a única coisa me separando do peito nu e firme do Rocco.
Passei a perna direita por cima do quadril dele, colando a minha virilha na lateral da coxa grossa envolta no moletom cinza. O atrito fez meu baixo ventre esquentar no mesmo segundo.
Rocco desceu a outra mão pelas minhas costelas. Os dedos calejados deslizaram pelo tecido da camiseta, desceram pela curva da minha cintura e encontraram a barra da peça. Ele não perdeu tempo: enfiou a mão por baixo do pano, tocando direto a minha pele pelada.
A palma dele estava quente, quase ardendo. Ele espalmou a mão na minha bunda com força, apertando a carne macia e puxando meu quadril para a frente até encaixar meu corpo de vez contra o dele.
O ar sumiu dos meus pulmões com a pressão.
— Sky... — ele murmurou contra os meus lábios, mordiscando a lateral da minha boca antes de descer os beijos pela linha da minha mandíbula. — Você tem certeza disso?
— Cala a boca e me beija, Rocco — respondi com a respiração curta, cravando as unhas nas costas largas dele.
A mão dele na minha bunda subiu um pouco, os dedos apertando a curva com uma firmeza que me fez arquear a coluna na direção dele.
Rocco afastou a boca da minha por alguns centímetros, os olhos cinzentos semicerrados me encarando com uma mistura de desconfiança e deboche.
— Você não vai vomitar em cima de mim, né?
Soltei uma risadinha rouca contra o pescoço dele, sem me afastar nem um milímetro.
— Por que a preocupação?
— Porque você estava abraçada à privada há quatro horas e o nosso histórico não mente. Já perdi camisa demais por sua causa.
— Uma vez você me disse que me amava até quando eu vomitava — rebati, mordiscando a pele da garganta dele.
Rocco soltou uma risada curta, o peito vibrando contra o meu.
— É, você me pegou. Ponto para você. Tem razão.
Ele tirou a mão da minha bunda e levou até o meu rosto. A palma calejada envolveu a minha bochecha com um cuidado absurdo, enquanto o polegar deslizava devagar pela maçã do meu rosto, conferindo a temperatura da minha pele.
— Mas agora é sério, Sky. Você está bem mesmo?
— Tô ótima. Foi só nervoso. — Revirei os olhos. — Depois daquela mulher aparecer aqui e ainda vir com aquele papo de noivado falso, empresa e coletiva, até o meu estômago ficou estressado. Dormi um pouco e passou.
Ele continuou me olhando com atenção.
— Tem certeza?
— Tenho. Não vomitei mais, não estou enjoada e estou me sentindo bem. — Estreitei os olhos. — Só continuo com raiva.
Rocco franziu a testa, indignado.
— Mas eu não fiz porra nenhuma!
— Fez sim!
— O quê?
— Fez no meu sonho, e isso continua me deixando possessa.
— Sky, pelo amor de Deus. Era um sonho seu!
— Com você dentro.
— E o que eu posso fazer se a sua cabeça inventa merda comigo enquanto você dorme?
— Você pensou também.
Ele piscou.
— O quê?
— No meu sonho. Você pensou.
Rocco ficou alguns segundos me encarando.
— Agora eu sou responsável até pelo que eu penso dentro do seu sonho?
— É óbvio.


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