POV: ROCCO BLACKWOOD
Deixei o envelope pardo sobre o aparador da entrada e caminhei pelo corredor em direção à suíte.
A comida mexicana continuava fechada nas sacolas sobre a bancada. O cheiro de pimenta e temperos já tinha começado a se espalhar pela cozinha, mas eu não estava com cabeça para comer.
Parei diante da porta do quarto.
Bati duas vezes com os nós dos dedos.
— Sky?
Nenhuma resposta.
Esperei alguns segundos.
— Amor, abre para mim, por favor.
Ouvi um movimento abafado do outro lado. Depois, a voz dela veio rouca:
— Não.
Apoiei uma das mãos na madeira.
— Sky...
— É melhor você não entrar agora, Rocco.
— Por quê?
Silêncio.
— Porque se você entrar agora, eu acho que sou capaz de te matar.
Pisquei.
Justo.
— Tá bom.
Afastei a mão da porta.
— Então eu vou ficar aqui fora.
— O quê?
— Vou esperar.
— Rocco...
— Não vou entrar sem você deixar. Fica aí, xinga a parede, conversa com você mesma, faz o que precisar fazer. Eu espero.
Olhei para os dois lados do corredor.
Depois sentei no chão, encostando as costas na parede ao lado da porta.
— Estou aqui.
Silêncio.
Cruzei os braços sobre o peito.
Mais silêncio.
— E não adianta ficar batendo — ela avisou do outro lado.
— Não vou bater.
— Nem ficar me chamando.
— Tudo bem.
— Nem tentar abrir.
Olhei para a maçaneta.
— Você trancou.
— Rocco!
— Eu sei. Não vou tentar.
Fiquei quieto.
Passaram talvez dois minutos.
Ouvi passos.
Depois silêncio novamente.
Mais passos.
A chave girou.
Levantei do chão antes que a porta terminasse de abrir.
Sky apareceu na passagem.
Ela tinha trocado a minha camiseta por uma blusa vinho de gola alta e colocado uma calça jeans escura. Os cabelos ruivos ainda estavam úmidos, penteados para trás às pressas, e o rosto continuava vermelho.
Fiz menção de me aproximar.
A mão dela subiu imediatamente.
— Fica aí.
Parei.
— Tá bom.
Sky apontou para o chão.
— Aí.
Olhei para os meus próprios pés.
— Neste ponto específico?
— Rocco.
— Estou parado.
Ela cruzou os braços.
Eu esperei.
Sky coçou a têmpora com dois dedos.
Depois coçou de novo.
— Eu estou com raiva.
— Eu percebi.
— Muita raiva.
— Também percebi.
— E ciúme.
Assenti.
— Certo.
— Muito ciúme.
— Entendido.
Os olhos castanhos se estreitaram.
— Para de responder como se estivesse preenchendo um formulário!
— Eu estou tentando não falar a coisa errada.
— Então não fala nada!
Fechei a boca.
Ela ficou me olhando.
Cinco segundos.
— Você não vai falar nada?
Respirei pelo nariz.
— Você acabou de mandar.
— Ai, meu Deus!
Sky levou as duas mãos à cabeça e começou a andar de um lado para o outro.
— Eu estou tentando, Rocco. Juro que estou tentando. Passei não sei quanto tempo naquele banheiro tentando ser madura, racional, segura, adulta...
Ela parou.
— Desperdicei água.
Franzi a testa.
— O quê?


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