POV/ ROCCO
Jussara retirou um envelope pardo grosso da bolsa e o jogou sobre a mesa de centro.
O papel caiu entre os restos da nossa tarde: cartas espalhadas, peças de jogo e uma almofada torta no chão.
Olhei para o envelope.
— O que é isso?
— O cronograma definitivo do alinhamento público. Fundação social, divisão dos fundos, garantias, exposição das duas famílias e as próximas aparições.
— Você atravessou dois continentes para me entregar papel?
— Eu mandei por e-mail há três dias.
Olhei para ela.
— Então devia ter esperado eu responder.
— Você não abriu.
— Isso não transforma minha casa em protocolo de correspondência.
Jussara sorriu sem humor.
— Continua arrogante.
— E você continua aqui.
— Porque o seu tempo acabou.
Meu olhar voltou para ela.
— Explica.
Jussara ajeitou a manga do sobretudo.
— Você tem sete dias.
O tom dela mudou.
Não havia mais provocação.
Era negócio.
— Os seus avós deram um novo prazo até domingo — Jussara disparou, sem rodeios. — Na próxima segunda-feira eles pretendem anunciar oficialmente a venda dos ativos na Inglaterra. Isso significa que a nossa demonstração pública, a confirmação da união e o nosso contrato precisam sair durante esta semana. Até sexta-feira, no máximo.
Meu maxilar endureceu.
— Isso não foi o combinado.
— O combinado também não previa você sumir por dias inteiros, ignorar minutas e aparecer por aí completamente deslumbrado com outra mulher enquanto as nossas famílias esperam uma postura profissional. O meu pai está enchendo o meu saco todos os dias cobrando esse casamento porque acha que isso vai consolidar os negócios dele, e eu não vou deixar a minha parte afundar por causa de capricho seu.
Apertei os dentes.
Ela precisava daquele acordo tanto quanto a minha família. Jussara não queria o dinheiro do pai; ela queria o meu investimento direto e a afiliação com a Blackwood para conseguir fundar a empresa dela de tecnologia e ter independência de verdade. O pai dela só estava empurrando a aliança por conveniência corporativa, mas era o meu capital que colocaria o negócio dela de pé.
— Minha vida particular nunca fez parte do contrato — avisei.
— Passou a fazer no instante em que começou a ameaçar os prazos da venda.
Olhei fixo para ela:
— E se eu recusar essa palhaçada de coletiva?
— Se você recusar, os seus avós não conseguem a valorização que esperam na segunda-feira. As ações dos postos e das empresas inglesas não vão bater o teto histórico e o anúncio de venda vai ser um fracasso no mercado europeu. O seu avô não vai aguentar a frustração e você sabe exatamente o que a pressão vai fazer com a saúde dele.
Fiquei em silêncio.
Aquilo não tinha cheiro de blefe.
Os velhos tinham encurtado o calendário. Se a união não fosse oficializada perante a imprensa até sexta-feira, os investidores em Londres recuariam, os preços dos ativos despencariam e o plano de aposentadoria do meu avô iria para o ralo bem na hora em que o velho dependia daquela bomba mecânica para continuar respirando.
— Então os meus avós resolveram mudar a data sem me consultar.
— Eles resolveram agir antes que o tempo acabe. E você deveria fazer o mesmo.
Soltei uma risada sem humor.
— Não precisa me ensinar a gerenciar os prazos da minha família.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário