POV: ROCCO BLACKWOOD
O clique seco da fechadura do quarto ecoou pelo corredor.
Sky tinha trancado a porta por dentro.
Fiquei parado no meio da sala por um segundo, olhando na direção da suíte.
Merda.
Ela estava tentando se segurar.
Eu sabia exatamente o tamanho do esforço que aquela ruiva estava fazendo para não explodir, não fugir e não transformar o medo em uma decisão precipitada. Menos de uma hora antes, estava ajoelhada comigo naquele tapete, dizendo que me amava e me pedindo em casamento.
Agora tinha Jussara dentro da minha casa chamando a mim de noivo.
Voltei o rosto devagar.
A mulher continuava parada a poucos metros de mim.
Jussara não se abalava com facilidade. A pele negra brilhava sob a iluminação indireta da sala, os cabelos volumosos caíam em cachos impecáveis pelas costas e o sobretudo de alta costura reforçava aquela postura de quem tinha crescido cercada por dinheiro velho de Londres, reuniões privadas e gente acostumada a obedecer.
Não tinha um fio fora do lugar.
Eu estava sem camisa, de moletom e com SKY escrito na testa.
E ainda assim era ela quem estava sobrando ali.
Cruzei os braços.
— O que você veio fazer aqui, Jussara?
Mantive a voz baixa. A última coisa que eu queria era Sky ouvindo uma discussão através da porta da suíte.
— Perdeu o resto do bom senso para aparecer na minha cobertura em pleno domingo?
Jussara deu dois passos para dentro e colocou a bolsa sobre a bancada lateral.
— O porteiro tentou bancar o difícil lá embaixo.
Meu olhar caiu por um segundo sobre o corredor.
O celular da Sky.
Tinha tocado no quarto enquanto eu estava ocupado demais com ela para prestar atenção em qualquer outra coisa.
— O senhorzinho da guarita disse que aquela garota deu ordens expressas para barrar a subida de qualquer mulher, inclusive a minha — Jussara continuou. — Me poupe, Rocco. Uma suburbana sem eira nem beira, que você tirou de um bico qualquer, achando que tem autoridade para me impedir de entrar na casa do meu próprio noivo? É patético.
Minha mandíbula travou.
Dei um passo na direção dela.
— Escolhe muito bem a próxima palavra que vai usar para falar da Sky dentro da minha casa.
— Eu toquei num ponto sensível?
— Você ainda não viu meu ponto sensível.
Jussara sustentou meu olhar.
— Não testa a minha paciência.
Ela soltou o ar pelo nariz.
— Eu não vim discutir a sua amante.
— Minha noiva.
O silêncio caiu entre nós.
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