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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 401

POV: SKY BITTENCOURT

Fiquei plantada diante da porta aberta, sem conseguir mover um músculo do corpo.

A mulher parada no hall parecia ter saído direto de um catálogo de moda: casaco impecável de corte reto, maquiagem intacta, cabelo perfeitamente escovado e um par de saltos que a deixavam uns bons centímetros mais imponente do que eu.

Olhei para baixo de relance.

Pernas grossas. Descalça. A camiseta preta do Rocco batendo na metade das minhas coxas. Cabelo ruivo úmido grudado no pescoço.

E sem calcinha.

Maravilha.

Uma sensação gelada de repetição bateu no fundo do meu estômago. O mesmo roteiro torto do meu passado voltando para me assombrar: a noiva legítima, fina e rica, batendo na porta para reivindicar o homem que estava na minha cama.

Não.

Não, não, não.

Eu não ia fazer aquilo de novo.

Jussara ajeitou a alça da bolsa de couro no antebraço e me mediu de cima a baixo, os olhos apertados em um desdém que ela nem se deu ao trabalho de esconder.

— Tá tudo bem? Posso entrar?

Dei um passo firme para a frente, bloqueando completamente a passagem.

Não.

Definitivamente não podia.

— O que você veio fazer aqui? — perguntei, e minha voz saiu mais cortante do que eu pretendia.

Ela abriu um sorriso mínimo. Daqueles que davam vontade de acertar uma panela na cara da pessoa.

— Bom, eu vim conversar com o meu noivo.

Meu noivo.

Respira, Sky.

— Não — rebati na mesma hora, cruzando os braços sobre a camiseta larga. — Ele não é o seu noivo. Ele é o meu noivo.

Jussara soltou uma risadinha curta e soprada, balançando a cabeça como se estivesse lidando com uma criança birrenta.

— Que engraçado. Então você é a coisinha que está atrapalhando o trabalho dele.

Coisinha?

COISINHA?

O sangue subiu direto para as minhas bochechas.

Não mata.

Eu não vou matar ninguém.

Ótimo.

Mas posso empurrar?

Não.

Nem um pouquinho?

NÃO.

— Sky...

A voz do Rocco surgiu atrás de mim.

Virei o rosto.

Ele tinha acabado de aparecer no corredor usando a calça de moletom cinza, o peito ainda nu e, para completar aquela maravilhosa cena familiar, o meu nome continuava escrito em letras enormes na testa dele.

SKY.

Com dois corações tortos nas bochechas.

— Cala a boca, Rocco!

Rocco Blackwood, fechou a boca na mesma hora e ergueu as duas mãos na altura do peito.

E deu um passo para trás.

Aquilo me proporcionou aproximadamente meio segundo de satisfação.

Voltei para Jussara.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Eu vim apenas porque precisava conversar com ele sobre o nosso projeto, alguns alinhamentos da construtora e o evento da família. Você não precisa se preocupar com absolutamente nada.

— Eu não estou nem um pouco preocupada.

— Não parece.

— É porque você chegou numa péssima hora.

Jussara desviou os olhos de mim e olhou para Rocco.

Primeiro para o peito nu.

Depois para o cabelo bagunçado.

Então para a testa.

O olhar dela parou.

SKY.

Desceu para uma bochecha.

Coração.

Depois para a outra.

Outro coração.

Jussara ficou alguns segundos em silêncio antes de abrir aquele meio-sorriso frio outra vez.

— Ah, com certeza. Percebi. Está um pouco sujo aqui, inclusive.

Rocco levou a mão à nuca e coçou a cabeça.

Eu nunca tinha visto aquele homem parecer tão desconfortável.

E eu deveria ter achado graça.

Em qualquer outra situação, provavelmente teria tirado uma foto.

Mas minha cabeça já estava começando a zumbir.

Uma voz interna gritava para eu pular no pescoço daquela mulher e arrancar o casaco caro dela no dente. Outra parte de mim, a que vinha tentando desesperadamente deixar de ser a louca que fugia ou explodia quando sentia medo, puxou as rédeas com força.

Não.

Eu não faria aquilo.

Eu precisava me controlar.

Precisava agir como uma pessoa madura, segura de si e dona do próprio nariz.

Mulheres maduras não batiam boca no corredor por causa de provocação barata.

Mulheres maduras respiravam.

Mulheres maduras confiavam no homem que, menos de uma hora antes, tinha chorado ajoelhado no tapete dizendo que as amava.

Mulheres maduras...

— Eu vou para o quarto.

Pronto.

Madura.

Virei antes que alguém pudesse responder e passei pelo Rocco.

Atravessei a sala.

Entrei no corredor.

Cheguei à suíte.

Bati a porta.

Girei a chave.

— AI, MEU DEUS!

Levei as duas mãos à cabeça e comecei a andar em círculos pelo carpete.

A mulher madura durou aproximadamente oito segundos.

— Ai, meu Deus. Ai, meu Deus, ai, meu Deus!

Parei.

— Será que eu fui madura?

Dei dois passos.

CAP. 427  Ele não é o seu noivo. Ele é o meu noivo. 1

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