POV: ROCCO BLACKWOOD
Eu administrava uma multinacional de engenharia pesada, fechava contratos de nove dígitos antes do almoço e liderava negociações implacáveis em três continentes.
Mesmo assim, depois de quarenta minutos sentado no tapete da minha própria sala, eu estava falido.
Completamente falido.
A Sky não apenas ganhou o jogo. Ela me depenou vivo.
A ruiva comprou metade do tabuleiro, encheu os bairros mais caros de casinhas de plástico e montou um esquema de extorsão imobiliária tão agressivo que eu comecei a questionar seriamente se ela tinha escolhido a profissão errada.
Cada vez que os meus dados caíam em uma propriedade dela, aquela mão pequena se estendia na minha direção.
— Aluguel.
— De novo?
— Caiu na minha propriedade.
— Você tem propriedade demais.
— Isso se chama investimento inteligente.
Entreguei mais duas notas coloridas.
Sky contou o dinheiro com a concentração de uma agiota.
Joguei os dados outra vez.
Caí em outra propriedade dela.
A mão apareceu.
— Aluguel.
Olhei para a mão.
Depois para a cara dela.
— Você parece um ladrão.
— Um ladrão com patrimônio.
— Você devia ter feito Administração em vez de Arquitetura.
— Por quê?
— Porque você tem talento natural para destruir financeiramente os outros.
Ela abriu um sorriso enorme.
— Obrigada.
— Não foi um elogio.
— Eu aceitei como um.
Passei a mão pelo cabelo e olhei para o meu lado do tabuleiro.
Restavam três notas.
Três.
Eu era dono de uma empresa avaliada em bilhões e estava contando dinheiro de brinquedo para descobrir se conseguiria sobreviver a mais uma rodada.
Sky balançou os dados dentro das mãos.
— Está nervoso, senhor Blackwood?
— Não.
— Sua testa está pulsando.
— Minha testa não pulsa.
— Tem uma veia quase pedindo socorro.
— J**a essa merda.
Ela gargalhou e lançou os dados.
Minutos depois, eu entreguei a última nota.
Sky puxou o dinheiro para o lado dela e bateu palminhas.
— Faliu!
Fiquei olhando para o espaço vazio diante de mim.
— Não é possível.
— É perfeitamente possível. Acabou de acontecer.
— Você tomou tudo.
— Eu avisei que ia levar seu patrimônio.
— Você tomou até as empresas de serviço público.
— Negócios são negócios.
— Você não tem coração.
— Tenho. Mas ele não participa de transações imobiliárias.
Soltei o ar pelo nariz e joguei os dados no meio do tabuleiro.
Eu odiava perder.
Odiava perder contratos. Odiava perder discussões. Odiava perder uma partida idiota com dinheiro de papel.
E perder para a minha mulher, que estava sentada na minha frente usando um vestidinho cinza curto e sorrindo como se tivesse acabado de conquistar Wall Street, estava acabando com o pouco de dignidade que me restava.
— Chega.
— Chega nada.
— Você já levou tudo.
Sky apoiou o queixo nas mãos.
— Seu dinheiro acabou.
— Exatamente.
Sky terminou de empilhar o último maço de notas coloridas do lado dela. O meu lado do tapete estava completamente limpo.
O sorriso dela mudou. Aquele brilho malandro e perigoso tomou conta dos olhos castanhos.
— Bom, já que você faliu e o seu dinheiro acabou, agora você pode começar a tirar a roupa.
Fiquei encarando a cara de pau dela por dois segundos.
— O quê? Ficou maluca?
— Ué, Blackwood! Ficou sem patrimônio, paga com o que tem. Pode ir tirando a camisa.
— Eu não vou tirar roupa de graça só porque você teve sorte em um jogo de tabuleiro — retruquei, soltando um meio-sorriso arrogante. — Se você quer me ver pelado na sua frente, vai ter que colocar esse vestidinho cinza em risco também.
Ela arqueou a sobrancelha, curiosa:
— E como você sugere fazer isso?
— Strip poker. Cinco cartas fechadas. Quem perder a mão tira uma peça de roupa.
Sky me encarou, avaliou a proposta e abriu um sorriso largo:
— Strip poker? Você que sabe. Parece uma excelente ideia para eu humilhar você duas vezes no mesmo domingo.
— Tem certeza, Bittencourt? — puxei a caixinha de cartas que estava jogada perto do tabuleiro. — Você vai perder esse vestido em duas rodadas.
Ela ajeitou as pernas no tapete, empinando o queixo com deboche:
— Menos conversa fiada e mais cartas na mesa, Blackwood. Embaralha.
Cortei o baralho e distribuí cinco cartas para cada um.
Estava convencido de que finalmente o jogo viraria a meu favor.
Não virou.
Na primeira mão, perdi a camiseta.
Olhei para as cartas abertas.
Depois para Sky.
— Você está roubando.
— Já começou?
— Isso é estatisticamente suspeito.
— Tira a camiseta.
— Sky...
— Perdeu.
Puxei a camiseta pela gola e joguei no sofá.
Os olhos dela percorreram meu peito.
— Próxima.
— Está gostando demais disso.
— Muito.
Distribuí novamente.
Na segunda rodada, ela abriu as cartas na minha frente.
Fiquei olhando para a combinação.
Depois olhei para ela.
— Não.
Sky abriu um sorriso.


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