POV/ SKY
— Eu tenho dignidade, Bittencourt.
Ela colocou as mãos na cintura.
— Tinha.
— Como é?
— Você perdeu o dinheiro, perdeu as propriedades, perdeu a roupa... — começou a contar nos dedos. — A dignidade estava no pacote.
— Você é uma pilantra. Eu deveria ter percebido que aquela confiança toda era um aviso.
— E você perdeu para mim.
Isso doeu mais do que deveria.
Fiquei olhando para ela.
Sky apontou novamente para o chão.
— Desce.
Se alguém tivesse me dito, alguns meses antes, que eu passaria um domingo completamente nu no meio da minha sala recebendo ordens de dança de uma ruiva de um metro e pouco, que tinha acabado de me levar à falência no Banco Imobiliário, eu teria mandado a pessoa procurar ajuda psiquiátrica.
Mas ali estava eu.
Soltei um suspiro pesado e me levantei.
— Você me paga por isso.
Sky bateu palmas.
— Vai, Blackwood!
— Para de gritar.
— Desce!
Dobrei os joelhos.
Meu corpo imediatamente informou que não tinha sido projetado para aquela merda.
— Mais!
— Isso é o máximo.
— Nem chegou na metade!
— Eu tenho um metro e noventa, Sky!
— Problema estrutural seu, engenheiro. Desce e mexa essa bundinha!
Cerrei os dentes e forcei mais um pouco.
Ela começou a cantar e bater palmas completamente desafinada:
— Tchu tcha, tchu tcha, tchu tcha...
— Não canta.
— Desce na boca da garrafa!
— Sky.
— Vai, Rocco! Rebola!
Tentei movimentar o quadril.
A gargalhada dela explodiu pela sala.
Parei imediatamente.
— O que foi?
Sky dobrou o corpo, segurando a barriga.
— Você... você está...
— Estou o quê?
— Parecendo um poste tentando acasalar!
Endireitei o corpo na mesma hora.
— Acabou.
— Não! Faz de novo!
— Acabou.
— Rocco!
— Eu já desci.

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