POV/ SKY
Ele falou aquilo com uma seriedade tão absurda que precisei morder a parte interna da bochecha.
— Entendi.
— Eu sou insaciável quando o assunto é você, ruiva. Se eu encostar a mão no seu corpo durante o dia você não vai aguentar o que vem de noite, e aí quando a gente for buscar seu pai no hospital, você que precisará ficar internada.
Levei a mão à testa.
— Você não existe.
— Aceita que dói menos.
— Já está doendo bastante, obrigada.
O sorriso dele aumentou.
— Então funcionou.
— Não fica orgulhoso disso!
Rocco soltou uma risada.
Olhei para a montanha de caixas em cima da bancada e balancei a cabeça:
— Tá bom. Vamos jogar. Mas apostado. O que você quer perder primeiro?
Rocco estendeu a mão, puxou a caixa grande do Banco Imobiliário do meio da pilha e colocou na minha frente com um ar vitorioso:
— Vamos começar por esse aqui, com certeza. Eu sou bilionário e entendo de dinheiro, imóveis e negócios melhor do que ninguém.
Soltei uma gargalhada na cara dele:
— Nisso aqui? Eu levo você à falência em meia hora!
— Você?
— Eu.
— Vai me levar à falência?
— Com gosto.
— Quero ver.
— Você vai chorar.
— Bittencourt, eu administro empresas.
— E daí? Banco Imobiliário destrói famílias.
Rocco abriu a boca para responder, mas parou.
O olhar dele desceu.
E ficou.
Esperei.
Nada.
— Rocco?
Silêncio.
Olhei para mim mesma.
Depois para ele.
— Que cara lerda é essa, homem?
Ele soltou o ar pelo nariz.
— Sky...
— O quê?
— Você não podia ter colocado uma calça de moletom comprida e meias coloridas?
Olhei para o meu vestido.
Depois para ele.
Um sorriso apareceu na minha boca.
— Por quê, senhor Blackwood? Isso aqui atrapalha a sua concentração no jogo?
Segurei as laterais da barra do vestido e ergui o tecido o suficiente para provocar.
Os olhos dele acompanharam o movimento.
— Sky.
— Sim?
— Abaixa isso.
— Achei que você tivesse autocontrole.
— Eu tinha.
— Tinha?
— Antes de conhecer você.
Minha risada escapou.
— Problema seu.
Rocco avançou e me puxou pela cintura.
— É exatamente esse o problema.
A boca dele encontrou a minha.
O beijo do Rocco sempre fazia alguma coisa absurda comigo. Bastava ele encostar os lábios nos meus para metade das minhas decisões conscientes pedir demissão.
Meus braços subiram quase por reflexo e envolveram o pescoço dele enquanto o beijo se aprofundava. Por alguns segundos, esqueci completamente os jogos, as minhas pernas doloridas e a promessa silenciosa de preservar o pouco de dignidade física que ainda me restava.
Quando ele se afastou, continuei com as mãos presas no pescoço dele, tentando recuperar o fôlego.
— Meu Deus do céu...
Rocco encostou a testa na minha.
— O quê?
— Como você consegue beijar tão bem?
O sorriso arrogante apareceu imediatamente.
— Eu faço tudo bem, ruiva.
Revirei os olhos.
— Pronto. Alimentei o monstro.
— Você perguntou.
— Foi um momento de fraqueza.
Rocco respirou fundo, soltou minha cintura e deu dois passos para trás.
Passou a mão pelo rosto.
— Vai vestir uma calça.
Comecei a rir.
— Não.
— Sky.
— Aprende a se controlar, Blackwood.
— Eu estou tentando.

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