POV: MOON
Os últimos dias tinham sido uma verdadeira montanha-russa, mas as coisas estavam finalmente começando a se encaixar.
O meu pai estava reagindo muito bem aos tratamentos no hospital. A cada visita que eu e a Sky fazíamos, ele parecia mais disposto, e os médicos já tinham avisado que a alta hospitalar definitiva aconteceria muito em breve.
A Sky também estava com uma nova audiência marcada para resolver as pendências jurídicas com os Gouveia e a nossa equipe de arquitetura tinha recebido a melhor notícia possível: Por enquanto a nossa equipe liderava o Rank do concurso para o Horizon Resort tinha ficado em primeiro lugar na fase preliminar de classificação.
A etapa final aconteceria em algumas semanas, e nós estávamos nos preparando para levar esse contrato milionário para casa.
E tinha o Senhor C.
Eu não via o meu homem misterioso pessoalmente há alguns dias. Ele dizia que estava atolado em reuniões executivas e problemas complexos de trabalho, mas não passávamos um único dia sem nos falar por mensagens e áudios. Ele continuava com aquela mania possessiva de exigir fotos de todas as minhas refeições.
Nos dias em que a correria do escritório me impedia de descer para almoçar, um entregador particular sempre aparecia na recepção com uma refeição completa, saudável e ainda quente, enviada diretamente por ele.
Eu estava jogada na minha cama de casal, encarando o teto e rolando de um lado para o outro com o celular na mão.
Será que eu estava completamente louca por estar me apaixonando por um homem que mantinha tanto mistério ao redor de si?
Era insano. Era perigoso. Mas a forma como ele cuidava de mim à distância, com aquele tom protetor e autoritário, fazia o meu estômago dar voltas inteiras de ansiedade boa.
O toque estridente do meu celular quebrou o silêncio do quarto, me fazendo dar um pulo no colchão.
Olhei para a tela. Era a Charlotte.
Deslizei o dedo e atendi na hora:
— Oi, Cha...
— Moon! — o grito dela veio tão alto que precisei afastar o aparelho do ouvido. — Eu vou casar!
Sentei de supetão na cama, arregalando os olhos.
— O quê?! Como assim, Charlotte?! Ficou maluca de vez?!
Ela começou a rir do outro lado da linha, com aquela voz doce e estabanada:
— Eu vou casar! Tô falando sério!
A Charlotte disparou a falar na velocidade de um trem desgovernado. Contou que ela e o Arthur iam assinar os papéis no cartório na sexta-feira de manhã e que o Luan tinha convencido o noivo a fazer a despedida de solteiro hoje à noite. Os homens ficariam na boate lá embaixo e as mulheres fariam a festa no apartamento do Arthur.
— Você precisa vir me ajudar! — ela pediu, quase sem fôlego. — E a Maressa? Queria tanto que ela viesse também!
Baixei o tom de voz, falando em tom de segredo de Estado:
— Charlotte, você não sabe da maior! A Maressa fugiu da Hungria e chegou no Brasil faz três dias!
— Ela fugiu?!
— Claro que fugiu! Você conhece a nossa amiga. A Maressa é a mulher mais sem limites que existe nesse país!
A Maressa era filha do Governador do Estado e o maior pesadelo da alta sociedade. Tudo o que os pais dela diziam para não fazer, ela ia lá e fazia o dobro só de pirraça. Na faculdade, quando um professor babaca começou a assediar as alunas, a Maressa simplesmente roubou o carro do sujeito e colocou fogo no veículo no meio do pátio principal. Para evitar um escândalo gigantesco antes da campanha eleitoral, o pai dela despachou a garota para um reformatório ultrarrígido na Europa, administrado por freiras. Só que a Maressa infernizou tanto a vida das religiosas que conseguiu escapar e pegar um voo clandestino de volta para Porto Alegre.
— Traz ela, por favor! — a Charlotte comemorou. — Quero muito ver a Maressa!
— Eu vou levar a Maressa e a Sakura também! — avisei, já pulando da cama. — Vou ligar para a Sky agora mesmo pra gente se encontrar no shopping e comprar tudo o que você tem direito!
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