POV/ Moon
No meio daquela confusão de risadas, a porta da sala recebeu três batidas firmes.
A Maressa abriu a porta sem cerimônia e deu de cara com o Arthur de terno, parado no corredor. O homem olhou para dentro, viu a Charlotte de lingerie rendada com orelhas de rato no meio da sala e simplesmente entrou em pane. E
le cobriu o rosto com a mão, ficou vermelho como brasa e gaguejou tentando saber se elas precisavam de algo, até a Maressa bater a porta com tudo na cara do dono da casa, dizendo que homem não entrava ali.
Por volta da meia-noite, a nossa cerveja gelada acabou.
— Meninas, vou descer lá no bar para pegar mais bebidas e gelo! — avisei, ajeitando o meu vestido curto.
— Vamos todas juntas! — a Charlotte se empolgou, puxando um short e uma blusa larga por cima da lingerie.
Descemos as escadas de madeira do prédio em bando, rindo alto e invadindo o salão do Erotic Boys.
O bar estava com iluminação baixa e música ambiente. Assim que cruzamos a porta, a Sky avistou o Rocco perto da saída de vidro, correu na direção dele e os dois começaram a se beijar com uma vontade desesperada, sem se importar com ninguém ao redor.
Mais adiante, vi a Sakura parada perto de uma mesa. O Diego deu um abraço carinhoso na irmã, enquanto o Nathan estava sentado sozinho no balcão, com a cabeça baixa, encarando a garrafa de cerveja com um olhar pesado e doloroso. Dava para sentir a eletricidade tensa entre eles de longe.
Continuei caminhando pelo salão em direção ao balcão de atendimento, olhando ao redor para procurar o barman.
Distraída com a movimentação, o salto do meu sapato escorregou em uma poça de líquido no chão de madeira. O meu corpo perdeu o equilíbrio de repente, inclinando para trás em uma queda certeira.
Fechei os olhos, esperando o impacto contra o chão.
Mas o impacto não veio.
Um braço musculoso, firme como uma viga de concreto, passou com rapidez pela minha cintura e me segurou no ar antes que as minhas costas tocassem o piso. A outra mão grande e quente segurou o meu antebraço com uma pegada possessiva, me puxando para cima de uma vez só e colando o meu corpo contra um peito largo e duro.
Puxei o ar com força, com o coração batendo na garganta.
Abri os olhos.
Era o Christian.
Um dos meus chefes e primo do Rocco estava em pé na minha frente. Ele era imenso, com a pele morena impecável, ombros largos sob a camisa social escura e olhos profundos que pareciam atravessar a minha alma.
— Tá tudo bem com você? — a voz dele saiu grave, rouca e pesada.
O meu coração disparou no peito na mesma hora. Um arrepio elétrico desceu pela minha nuca, espalhando um calor repentino que fez a base do meu ventre contrair de leve.
Fiquei imóvel por alguns segundos, presa no calor daquele peito largo e no cheiro do perfume amadeirado dele que invadiu as minhas narinas. Um perfume sofisticado, forte e marcante.
— Tá... tá tudo bem — respondi, tentando recuperar o fôlego enquanto ele diminuía a força do aperto, mas mantinha a mão grande e firme segurando a minha cintura com um cuidado surpreendente.
Ajustei a postura, joguei o cabelo para trás por cima do ombro e soltei uma risadinha sem graça:
— Nossa... você sempre me salvando, né?
O Christian me olhou com atenção, e um sorriso de canto — absurdamente bonito — apareceu nos lábios dele.
— Pois é. Eu sempre tô nos lugares onde as pessoas precisam.



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