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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 95

"Érick"

No trajeto de volta para a mansão a Lorena se manteve silenciosa. Ela estava rígida, ainda um pouco trêmula. Os meus dedos estavam entrelaçados nos seus, e no banco de trás a Alice mantinha aquele sorrisinho de alegria mal contida que parecia um carimbo de aprovação para mim, para a defesa que eu fiz da Lorena.

No entanto, eu sabia que a Lorena teria que lidar com a pior parte, a parte em que as pessoas olhariam e a julgariam como se ela não fosse digna do lugar que eu dava a ela. Para o inferno que ela não era digna! Não existia mulher mais digna que ela, que entrou na minha casa e realmente olhou para a minha filha, a amou sinceramente, a defendeu como se fosse a própria mãe. Sim, ela era digna e merecia o meu mundo aos seus pés, assim como a Alice merecia aquele amor maternal com que a Lorena cuidava dela.

Eu não me arrependia de absolutamente nada e deveria ter feito muito mais. Ver os rostos de pânico daquelas mães de elite e o silêncio covarde do professor Renato foi o melhor investimento que eu fiz no ano. Mas a Lorena... ela agora era a minha preocupação, eu não permitiria que ela fosse devorada pelo julgamento classista daquelas pessoas.

- Lô... - Eu apertei de leve a sua mão e ela se virou para mim. - Você não vai mais usar o uniforme. Você não é mais a "babá Albelini". Hoje à tarde nós vamos sair e comprar tudo o que você precisar.

Eu esperava um agradecimento, ou talvez aquele olhar de choque. Mas eu recebi o fogo. A Lorena se virou para mim, os olhos faiscando em um tom que me fez querer prendê-la contra o couro do banco ali mesmo e resolver de vez o assunto da calcinha cor de rosa. Aquele olhar dela, de quem não se deixava dominar e que não tinha medo de dançar com o perigo, fazia com que algo primitivo despertasse em mim.

- Eu não sou um troféu, Érick. Eu não sou uma propriedade para receber a plaquinha do "patrimônio Albelini". E eu não sou um projeto de caridade. - Ela disse com a voz baixa, mas com uma firmeza que me atravessou como uma lâmina. - Se eu não preciso mais usar esse vestido que, convenhamos, nunca foi um uniforme, então eu tenho as minhas próprias roupas e vou usá-las. Não vou ser vestida por você como se fosse uma extensão da sua empresa, simplesmente para massagear o seu ego. Eu não vou a lugar nenhum comprar nada com o seu cartão.

Enquanto ela falava, eu sentia o sangue borbulhar. Como ela ousava pensar que eu a estava tratando como uma maldita propriedade? Era como se nada que tinha acontecido entre nós tivesse valor, como se ela não entendesse o que significava para mim. Eu travei o maxilar. A resistência dela era um insulto e, ao mesmo tempo, o motivo de eu estar tão obcecado por ela.

- Imagem, Lorena, faz parte do pacote. Você não entende como esse mundo, o meu mundo, funciona, mas agora você está nele. - Eu respondi entre os dentes.

- Eu entendo perfeitamente como o seu mundinho funciona! - Ela rebateu, firme e arrogante, o que quase me fez sorrir, porque era essa Lorena que eu queria ver engolindo aquelas mulheres recalcadas da escola. - E entendo que, se eu aceitar que você compre até o que eu visto, eu deixo de ser a Lorena Valente para virar apenas a sua... refeição.

- Entenda, Lorena Valente, que quando olharem para você, estarão vendo o sobrenome Albelini, porque eu gritei para o mundo que você é minha! E nem adianta tentar questionar isso. No momento em que aquelas hienas desocupadas abrirem as bocas nervosas para os maridos e as outras que não estavam ali, o que já deve estar acontecendo, todo o mundo ao nosso redor saberá que você é minha!

- Eu não cedo nisso, Albelini. Use o seu poder com o seu Conselho, não comigo. - Ela rebateu insolente.

Eu parei o carro em frente a mansão. Eu poderia ter insistido, poderia ter ordenado, poderia tê-la arrastado de boutique em boutique. Mas havia uma dignidade naquela teimosia que me desarmava, que me fazia enlouquecer ainda mais por ela, que me fazia admirá-la. Ela era teimosa.

- Por enquanto... você fica com a última palavra. - Eu falei antes de sair do carro.

Capítulo 95: Ela não aceita o meu dinheiro 1

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