"Lorena"
O Julian voltou a se sentar, ele não sorria, mas tinha um contentamento que não conseguia esconder.
- Desculpa o rompante, Dalvinha. - O Julian pediu.
- Foi interessante, Julian. - A Dalva nem escondeu o risinho de diversão. - Meninas, eu tenho uma notícia boa para dar. Eu consegui o emprego fixo! Uma senhora muito rica e refinada me contratou para cuidar da casa dela, eu já fazia a faxina, mas ela me quer lá todos os dias da semana. O salário é excelente, mas eu vou precisar passar a semana toda lá. Só volto para a vila nos fins de semana, já que é bem longe.
Eu me aproximei da Dalva e dei um abraço apertado nela, sentindo um alívio imenso no meio do meu caos. Pelo menos ela não tinha sido afetada pela ira do Albelini.
- Você merece, Dalva. Vá tranquila. Nós vamos nos virar por aqui. - Eu sussurrei, vendo-a sorrir.
Eu servi o café, a Marcelina ainda estava em um silêncio profundo.
- E vocês duas, alguma novidade? - A Dalva quis saber.
- Que nada, Dalva. - Eu suspirei. - E está ficando copmplicado pra mim, o pouco que eu tinha guardado do trabalho na boate já está acabando.
- Lorena, eu posso te ajudar. Eu ainda me considero seu amigo. - O Julian falou solenemente.
- Não, Julian, obrigada. - Eu respondi.
- Ela não aceita nem a minha ajuda, engomadinho. Eu que sou amiga de verdade. - A Marcelina abriu a boca, a irritação estava fervendo nela ainda.
- Lô, você sabe que não precisa se preocupar. Ainda mais agora que eu consegui esse emprego. - A Dalva deu dois tapinhas na minha mão.
- Dalva, você é uma mãe para mim e já me ajuda muito. Não se preocupa que eu vou conseguir trabalho. - Eu sorri para tranquilizá-la.
- Bom, de toda forma você sabe onde eu deixo o dinheiro. Eu vou passar as semanas fora, Lô, não quero que você passe dificuldade. - Ela avisou e eu fiz que sim, mas eu nunca tocaria no dinheiro dela. - Eu vou para o quarto arrumar as minhas coisas, amanhã eu tenho que sair de manhã para chegar na hora que a patroa marcou. Julian, sinta-se em casa.
- Obrigado, Dalvinha. - O Julian jogou um beijo para ela e se virou para mim e para a Marcelina. - Meninas, me deixem ajudar. Vocês sabem que eu posso.


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