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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 170

"Lorena"

Eu engoli em seco, mas não deixei que o Conselheiro Mendes visse um único fio de hesitação no meu rosto. Se o Simão estava farejando o meu passado, isso significava que eu precisava acabar com o Conselho antes que o Simão esbarrasse na boate.

- Ele não vai encontrar. - Eu sorri, mas por dentro eu senti uma onda de nervosismo se espalhar. - Mendes, eu amo o Érick, isso é real. Eu não vou prejudicá-lo e ele não vai causar prejuízo a empresa por minha causa.

- Você é a mulher do golpe financeiro. O Simão acredita que isso foi armação sua com o seu suposto ex. - Ele contou. O Sr. Mendes falava pelos cotovelos.

- É, eu fui a mulher enganada e o Conselheiro Simão não podia estar mais equivocado. Eu não participei do golpe, eu fui usada, traída e culpada. Mas a polícia está investigando e eu já fui inocentada. O Simão contou isso?

- Não, isso ele não contou. Mas não me importa, por mim o Érick pode fazer o que quiser. - O Mendes deu de ombros e encheu o copo outra vez.

- Ótimo! Então nos ajude a te ajudar, porque nós também não damos a mínima para o que você faz com a sua vida. No entanto, nós nos preopcupamos com o que você faz com o meu Albelini. - Eu o encarei.

- O que vocês querem? - Ele perguntou, a voz saindo abafada e trêmula. - Dinheiro? Quanto vocês querem? Eu pago. Eu tenho bônus acumulados da holding, posso te dar uma porcentagem. Podemos fazer um acordo. O Simão não precisa saber que vocês estiveram aqui.

- Nós vamos fazer um acordo! - A Marcelina riu, um som limpo e cortante. - Mas nós não queremos o seu dinheiro, Mendes. Nem todo mundo é movido a grana, amiguinho.

- Vocês querem que eu apóie o Érick? Isso não será problema eu... - Ele começou a falar, mas eu o interrompi.

- Nós não somos como o Simão, Sr. Mendes. Nós não queremos você numa coleira. O que nós queremos é mais simples. Nós queremos que você esqueça que nós existimos e nunca mais apareça na nossa frente, simplesmente esqueça todos nós, ou tudo o que temos sobre o senhor pode ir parar nas mãos da sua esposa... ou eu devo dizer: a verdadeira dona do dinheiro que você gasta? - Eu o encarei.

- Esquecer vocês? Mas isso é impossível. - Ele riu. - Eu sou sócio do Érick...

- Ah, que pena! Vai ter que deixar de ser. - A Marcelina sugeriu.

- O quê...?! Vocês querem as minhas ações? Vocês estão malucas? Isso é metade do meu patrimônio no Grupo! Isso não vai acontecer! - O Mendes esbravejou.

- É, nós queremos as suas ações, Mendes. Todas elas. Mas não é de graça, viu?! Nós vamos pagar por elas. Valor nominal de tabela. Sem ágio, sem bônus e sem choro. - A Marcelina puxou o calhamaço de papéis que o Julian tinha preparado de dentro da bolsa, prendeu na prancheta e jogou em cima da mesa de centro, bem ao lado do copo de whisky.

- Pensa, Mendes, nós estamos ajudando você. O Simão está te mantendo preso na coleira, nós estamos te dando a liberdade. Isso não é maravilhoso? - Eu perguntei com um sorriso cínico.

O Mendes quase derrubou o copo ao pegar a prancheta. O rosto dele mudou de vermelho para um tom arroxeado.

- Vocês enlouqueceram?! Minhas ações?! - Ele esfregou o rosto com uma das mãos. - Eu não posso transferir as minhas ações sem uma assembleia! Eu não posso vender sem a aprovação do Simão! E o Julian Beaumont nunca aceitaria registrar isso de forma legal!

- Quem você acha que redigiu esse contrato, amiguinho? - A Marcelina debochou, batendo com a unha comprida na linha pontilhada do papel. - O Beaumont pensa em tudo. Está tudo pronto, com procuração prévia de cessão de direitos. Só falta a sua assinatura.

- Isso é extorsão! É crime! - Ele se remexeu no sofá, a arrogância tentando voltar, mas o roupão aberto e as fotos dele espalhadas na mesa destruíam qualquer vestígio de dignidade. - Eu posso processar vocês! Posso anular qualquer coisa!

Capítulo 170: Estamos te dando a liberdade 1

Capítulo 170: Estamos te dando a liberdade 2

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