"Érick"
Eu saí daquela escola me sentindo revigorado, carregando a minha filha sorrindo e com a tranquilidade de ter dado o meu recado a direção, certo de que aquele professor não se atraveria a se aproximar da Lorena de novo. Mas a paz só durou até que eu visse o rosto da Lorena. Ela tentava desesperadamnente esconder o rastro de lágrimas e a dor em seus olhos que me cortaram como navalhas.
Eu também tinha ouvido a última frase daquelas mulheres que antes estavam ao redor daquele professor e eu não precisava saber de tudo o que elas tinham dito para ter certeza de que era tudo igualmente cruel e maldoso.
A raiva que eu senti não foi como as outras, não foi aquele pavio curto aceso que explodia em cinco segundos. Foi uma raiva fria. Calculista. Uma vontade visceral de reduzir a pó qualquer um que achasse que ela era um alvo fácil. Qualquer um que pensasse que estava acima dela.
Eu coloquei a Alice no chão e segurei o rosto da Lorena. O tremor na pele dela incendiou o que restava da minha paciência, que já não era grande coisa. Quando eu me virei para o grupo de hienas vestidas de grife, a cor sumiu dos rostos delas. Elas sabiam quem eu era. Sabiam do que eu era capaz. Mas elas claramente subestimaram o que a Lorena significava para mim.
- Albelini... - Uma delas, que eu sabia bem que era amiga inseparável da Verônica, tentou sorrir, o pânico mal disfarçado em seu rosto. - Estávamos apenas comentando como a sua funcionária é... dedicada.
Eu não respondi. Dei um passo à frente, mantendo a Lorena presa ao meu corpo. Ninguém ousou dizer mais nada.
- Você é amiga da Verônica Albuquerque. E certamente todas vocês sabem do que aconteceu. No entanto, parece que vocês não aprenderam nada com a ruína deles. - A minha voz saiu baixa, quase um sussurro, que fez a mulher dar um passo para trás.
- Albelini, o que é isso, nós apenas comentávamos como ela se dedica a Alice e...
- Não tente me subestimar. Eu ouvi o que você disse sobre "lanche da tarde". Isso tudo é invejo, despeito ou um pouco de cada sentimento mesquinho que existe? - Eu a encarei e dei mais um passo em sua direção. - E olha que interessante, eu tenho negócios com o marido de cada uma de vocês. Do mesmo jeito que eu tinha com o Albuquerque.
- Érick, por favor, me perdoe, foi só um mal entendido, uma bobagem, nós... - A amiga da Verônica estava trêmula.
- Não existe mal entendido quando se trata da Srta. Valente. Que fique claro para todas vocês. - Eu a cortei, meus olhos a fuzilando. - Digam aos seus maridos para conferirem as contas das suas empresas antes do fechamento de hoje.
- Érick... - A amiga da Verônica tentou se aproximar e tocar meu braço. Eu me esquivei e a encarei deixando claro o meu desprezo.
- Se eu ouvir mais um sussurro, uma piada ou um olhar torto na direção da Lorena, eu não vou apenas processar vocês. Eu vou garantir que a única coisa que vocês vistam pelo resto da vida seja o pano de chão da casa que vocês vão perder.
Elas recuaram em bloco, o terror estampado nos rostos. Eu me virei para o fundo, onde o verme do Renato tentava se esconder atrás de uma pilastra.
- E você? - Eu apontei para ele. O professor congelou. - Não pense que eu não sei que tem dedo seu nesse circo. Amanhã, o conselho da escola receberá uma doação generosa da minha parte. Com uma única condição: o seu desligamento imediato e a cassação da sua licença por conduta antiética. Procure emprego em outra cidade, Renato. Nesta aqui, você não ensina mais nem a amarrar sapatos.
Quando eu me virei a Lorena já tinha colocado a Alice no carro e esperava por mim de cabeça baixa. Eu peguei a mão dela, entrelaçando os nossos dedos com força.

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