"Lorena"
O trajeto da casa da D. Heloísa até a escola foi quase silencioso. Érick dirigia com uma mão no volante e a outra apertando minha coxa, um lembrete constante de que ele não tinha esquecido a calcinha rosa e cobraria a minha insolência com juros.
- O que a minha mãe queria, Lô? - A voz dele era baixa e até parecia tranquila, mas havia uma inquietação por baixo daquilo, ele parecia ansioso por saber o que a mãe dele tinha me dito.
- Apenas me dizer que preza pelo meu bem estar e que se o filho dela fizer alguma malcriação eu posso avisá-la que ela o coloca de castigo. - Eu sorri para ele, que estreitou os olhos.
- Suas gracinhas vão custar bem caro mais tarde. - Ele me ameaçou e subiu a mão pela minha perna até tocar a minha calcinha, me fazendo arquejar. - Tule transparente... acho melhor rever o seu uniforme.
O clima no carro era de provocação, carregado de desejo contido. Mas a luxúria dele deu lugar a uma proteção rígida assim que estacionamos em frente a escola da Alice. Ele olhou adiante e viu o professor Renato com um pequeno grupo de mães, olhou o relógio de pulso e bufou.
- Já está na hora da Alice sair... e eu preciso dar uma palavra com a diretora antes que ela saia também. - Ele olhou para onde estava o professor e tamborilou os dedos no volante.
- Vai falar com a diretora, eu fico e espero a Alice. - Eu sugeri e ele me olhou de lado nada satisfeito. - Vai, Érick, ele não vai se aproximar de mim outra vez, ainda mais com você por perto.
Ele respirou fundo, dividido entre a obigação de pai e a necessidade de impor a sua presença para o professor.
- Está bem. Eu não demoro, Lô.
Eu concordei e antes que ele me dissesse para ficar dentro do carro, eu abri a porta e saí. Ele deu a volta no carro e apenas me olhou daquele jeito que dispensava palavras, apenas deixando claro que eu tinha cometido mais uma pequena infração que seria somada a sua cobrança logo mais.
Mas ele não estava disposto a apenas se virar e entrar na escola, ele segurou a minha cintura com uma força que marcava território e me deu um beijo no rosto, bem no canto da boca, possessivo o suficiente para que todos em volta tirassem conclusões. Eu não sabia o que fazer, mas tinha me arrependido de sair do carro. Eu fiquei ali, encostada no carro, sentindo-me exposta e vulnerável.
Eu dei uma olhada pelo canto de olho para o grupo de mães mais à frente, o professor Renato estava no centro daquelas mulheres impecáveis, com joias caras e olhares afiados. Ele disse algo, apontou discretamente na minha direção com o queixo e se afastou com um sorrisinho cínico, indo falar com um colega. Era óbvio que ele tinha feito algum comentário sobre o Érick e eu.
As mulheres se viraram para mim como hienas que acabaram de avistar uma presa ferida. Eu já imaginava onde isso ia dar. Até porque, entre elas, eu reconheci a melhor amiga de Verônica Albuquerque.
- É realmente um escândalo! - Uma delas disse de modo afetado e alto o suficiente para que o som da sua voz chegasse a mim. - Primeiro ela agride a Verônica, aquilo foi um horror. E agora ela desfila por aí com o Albelini como se fosse a alguém na vida. Mas isso explica porque o Albelini provocou a ruína financeira do Albuquerque...



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