"Lorena"
Eu ainda estava tentando organizar os meus pensamentos e assimilar tudo o que havia acontecido em apenas uma manhã. Por mais que eu tivesse ganhado tempo, uma nuvenzinha carregada no fundo da minha mente insistia em dizer que isso tudo não acabaria bem.
- Vai, desfaz essa cara de enterro. Vamos lá na casa da Dalva, você conta pra gente sobre aquela coisa que ia fazer para o seu gostosão e nós escolhemos mais alguma coisinha indecente dentro daquela sua mala que parece uma boutique! - A Marcelina me cutucou e nós nos despedimos do advogado.
Eu passei um bom tempo com a Dalva e a Marcelina e saí da vila com uma pequena mala cheia de roupas, as idéias loucas da Marcelina e os conselhos sensatos da Dalva. O motorista do Érick estava totalmente atento easism que me viu, ele gentilmente pegou a mala e abriu a porta do carro.
Eu me sentei no banco de trás e senti que eu estava sendo vigiada por todos os lados, isso me deixou nervosa e inquieta. O conselho do Mariano agitou a minha mente junto com a dúvida: eu estava protegendo o Érick ou apenas adiando o inevitável?
Depois de pegar a Alice na escola, nós estávamos de volta a mansão Albelini. Ao descer do carro, o meu sangue gelou. O Érick estava parado na porta, a sua figura imponente no terno sob medida que moldava os seus ombros que pareciam carregar o peso do mundo. Seus olhos, no entanto, não estavam em mim. Estavam fixos no motorista, que retirava minha mala do carro.
- Outra mala, Lorena? - A voz dele era rígida, mas permeada por curiosidade.
Eu não respondi de pronto, senti o peso do olhar dele enquanto eu agradecia ao motorista e depois me virava para ele calmamente. A Alice correu para os braços do pai, e por um segundo eu vi o gelo quebrar enquanto ele a pegava no colo, mas os seus olhos avaliadores logo se voltaram para mim. Eu forcei o meu melhor sorriso, sem saber o que esperar dele depois desta manhã.
- Eu trouxe mais algumas roupas, Sr. Albelini. - Eu respondi enquanto ele se aproximava. O perfume dele me atingiu em cheio e fez o meu coração disparar. Eu não suportava a frieza dele. - Na verdade, se não se incomodar... eu gostaria de permanecer na casa este final de semana. Eu sinto falta da Alice e como já estive em casa esta semana, prefiro ficar com a minha menina.
- Você vai ficar, Lolô? O fim de semana inteiro? - A Alice perguntou, os olhinhos brilhando, e eu fiz que sim. - Obaaa! A gente pode montar o acampamento na sala?
- Talvez seja melhor no meu quarto pequena.
Eu sorri para ela, mas meus olhos buscavam os dele. O Érick não sorriu. Ele apenas assentiu para o motorista o dispensando e depois me encarou.
- Querida, vá para o seu quarto, a sua Lolô já te alcança. - O Érick colocou a Alice no chão e ela entrou em casa. - Pensei que já tivéssemos superado a fase do "Sr. Albelini"?
Eu abaixei a cabeça sem saber o que responder, porque eu também pensei que já tivéssemos passado disso, mas a forma fria com que ele me tratava me deixava pisando em ovos.
- Depois do almoço, nós temos muito o que conversar. - Ele disse, seco.
Eu fiz que sim e me virei para dar a volta e entrar pelos fundos da casa, mas antes que eu desse o segundo passo ele me segurou pelo cotovelo.


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