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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 80

"Érick"

Eu deveria estar comemorando. Tinha acabado com a pretensão de revolta do Conselho e estava reduzindo o Albuquerque a nada no mundo corporativo. Desde o momento em que eu dei as instruções para liquidar a nossa parceria o meu telefone não parou de tocar. Mas ao invés de estar satisfeito por cortar o mal pela raiz, tudo o que eu conseguia focar era naquela mala que a Lorena trouxe com ela.

Aquela mala... aquela maldita mala. Eu a observei sendo retirada do carro e senti um gosto amargo de desconfiança. Ela estava abrindo o caminho para o advogado, mas parecia estar trazendo camadas extras de segredos dentro daquela mala. O tom de voz dela era profissional demais e o distanciamento era frustrante. Ela não estava me deixando entrar, eu estava chutando a porta. A Lorena estava voltando, mas ao mesmo tempo parecia estar se preparando para fugir com o que sobrou de um mundo que ela ainda se recusava a dividir comigo.

Durante o almoço, o silêncio na mesa estava me deixando no limite. Eu não suportava ser ignorado por ela, mas suportava menos ainda que ela voltasse a agir daquela forma, como se quisesse voltar a ser invisível, como se quisesse esconder de mim a mulher maravilhosa e desinibida que invadiu o meu quarto, a mulher calorosa e amorosa que cuidava da minha filha como se fosse dela própria.

Eu não estava sendo frio porque não a queria. Eu estava sendo frio porque, se eu desse a ela um centímetro de abertura, eu a tomaria ali mesmo, na mesa de jantar, na frente de quem quer que fosse, porque eu não suportava o distanciamento entre nós.

Eu mal toquei na comida. Observava como a Lorena evitava o meu olhar, como os dedos dela tremiam levemente ao segurar o talher, como ela sequer fazia um ruído na minha presença. Ela estava sentada à minha frente, exalando aquela mistura torturante de coco e açúcar, como se aquela docilidade pudesse esconder de mim a mulher atrevida e provocante que ela era. Cada fibra do meu ser queria arrastá-la dali e exigir a verdade.

Quando eu disse que tínhamos assuntos pendentes no escritório, eu vi o momento exato em que ela engoliu em seco, como se sentisse o cerco fechando. So que ela tinha tanto medo?

Assim que entramos no escritório, o estalo da chave girando na fechadura foi o sinal para o fim da minha paciência. Eu a queria contra a parede. Eu queria sentir o coração dela martelando contra o meu peito, uma prova de que ela estava tão afetada quanto eu.

E no momento em que ela sussurrou que queria ser minha, nada mais me importou. Eu a puxei para o meu peito, sentindo o calor dela derreter a fachada de gelo que eu mantive a manhã inteira. Minhas mãos, possessivas por natureza, mapearam suas curvas através do vestido azul que ela usava como uniforme escolhido por mim para que ela não se escondesse.

- Eu não suporto essa distância, Lorena. Ver você agindo como se fosse apenas a funcionária invisível de novo... me deixa fora de controle. - Eu sussurrei no ouvido dela, aspirando o perfume doce que parecia impregnar os meus sentidos.

Eu senti as mãos dela subirem pelo meu peito, agarrando a lapela do meu terno com uma urgência que me fez soltar um gemido baixo. Era essa mulher que me fascinava, a mulher que era doce, gentil e amorosa com a minha filha, mas que quando estava sozinha comigo me enlouquecia com a sua entrega perfeita.

- Eu não sei como agir, Érick. Eu nunca sei como agir com você quando estamos na frente das pessoas... quando você está se mantendo frio e distante. - Ela murmurou, a voz falhando. - Eu estava com medo. Achei que você estivesse arrependido de ontem à noite.

- Arrependido? - Eu ri, um som rouco e sem humor, enquanto a pressionava com mais força contra mim. - Só um louco se arrependeria! Eu passei cada segundo dessa manhã querendo voltar para casa apenas para ter certeza de que você não era um delírio. Ontem à noite... foi a minha perdição, Lorena. Um caminho sem volta e mesmo que eu pudesse voltar, eu não quero.

A tensão entre nós mudou de patamar. As explicações mútuas foram como condutores do desejo entre nós. Eu a beijei, eu a reivindiquei. A minha língua invadiu a boca dela com uma necessidade que vinha sendo represada desde o café da manhã. As minhas mãos, agora impacientes, subiram por baixo do seu vestido, sentindo a pele macia das coxas acima das meias, sentindo as ligas que prendiam as meias como um convite ao pecado.

Eu queria marcar cada centímetro dela, queria que ela levasse o meu cheiro e nunca mais ele saísse da sua pele, queria que ela me quisesse tanto quanto eu a queria.

O mundo lá fora não me importava mais. Tudo o que me importava era ela e o arrepio delicioso que a sua respiração ofegante contra a minha pele causava. Eu estava prestes a erguê-la sobre a minha mesa e matar a vontade do meu corpo de estar dentro dela, quando o som seco de batidas na porta me puxou de volta para o mundo que ainda estava à nossa volta.

Capítulo 80: Explicações mútuas 1

Capítulo 80: Explicações mútuas 2

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