"Lorena"
Eu entrei na vila e fui direto para a casa do Mariano. Ele tinha transformado a pequena sala de casa no seu escritório. Assim que entrei eu notei que o jovem advogado não parecia nada bem. Suas olheiras estavam profundas e ele tamborilava os dedos na mesa redonda onde mantinha o computador. Quando eu entrei ele pareceu ver a solução dos seus problemas.
- Lorena! Eu ia te ligar...
- Ai, Mariano, cada vez que você me liga eu paro de respirar. Você nunca tem uma boa notícia. - Eu entrei e me sentei no pequeno sofá verde de dois lugares, sem esconder o meu desânimo.
- Lorena, você é um desafio! - Ele me deu um sorriso gentil. - O que está acontecendo agora, Lorena? Com quem mais você se meteu? - Eu o encarei sem entender e ele continuou com a voz baixa, se sentando na mesinha de centro a minha frente. - Um homem me procurou ontem à noite. Um tal de Albuquerque. Ele tentou me subornar, ofereceu uma quantia vultosa para que eu entregasse qualquer podre sobre a sua conduta. Por que, Lorena?
Eu senti um calafrio.
- O que você disse a ele? - Eu exalei cansada.
- Que ele estava no lugar errado e que não há nada para descobrir. Mas ele não vai parar. Quem é ele?
- Ele é um parceiro de negócios do Érick. - Eu contei ao Mariano tudo o que aconteceu envolvendo o Albuquerque e a família. - E agora ele está me usando para tentar tirar o Érick do controle da empresa.
- É, você consegue atrair as piores encrencas. - O Mariano esfregou as mãos na calça e se levantou, pensou um pouco e se virou para mim outra vez. - Escute o meu conselho, Lorena: afaste-se de tudo. Suma da boate. Guarde a Infernal como um assunto sepultado. Se qualquer detalhe sobre o seu trabalho naquela boate chegar aos ouvidos do Conselho ou desse tal Albuquerque, você não vai apenas perder o emprego, você vai enterrar o Érick junto com você.
Eu sabia que o advogado tinha razão. Eu precisava acabar com a Scarlat antes que o incêndio se espalhasse. Eu chamei a Marcelina, por sorte ela estava em casa e chegou rápido na casa do Mariano e bateu a porta, como se nos protegesse ali dentro. Nós explicamos a situação para ela.
- Não sei, Lô, o Barão adora dinheiro e se ele se sentir abandonado ele vai querer se vingar. Ele vai acabar aceitando o dinheiro do outro ricaço para dar a sua ficha. - A Marcelina tinha razão, eu precisava de estratégia, mas precisava da ajuda dela.
Depois de pensar e conversar com a Marcelina, nós chegamos a um plano. Eu fiz uma chamada de vídeo para o Barão. Eu não podia me arriscar a ir até lá, se alguém decidisse me seguir seria o fim. Quando o Barão apareceu na tela, eu tentei manter a voz firme, canalizando a frieza que a Scarlat usava.
- Barão, precisamos conversar. Eu preciso me afastar por tempo indeterminado. - Eu disparei.
- Mas nem pensar! - Ele realmente não pensou, mas eu sim e o interrompi.
- Meu problema com a polícia e o processo de fraude estão esquentando. Se eu continuar aparecendo na boate, a investigação vai respingar na Infernal. Você quer a polícia batendo na sua porta toda noite por causa de uma garçonete? - Eu disparei e a expressão dele mudou daquele sorrisinho cínico para irritação.
- O faturamento do VIP cai pela metade sem você, Scarlat. O Andrey está vindo aqui todo dia... - A ganância do Barão falava por ele e turvava os seus pensamentos, eu precisava pintar o cenário para ele.


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