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Vendida Ao Don Da Máfia romance Capítulo 112

Valentina

O sol já tinha reivindicado o céu de Londres há algum tempo. A luz entrava pelas frestas da cortina pesada, desenhando linhas de poeira dourada no ar, como se o dia lá fora não soubesse do peso da noite que tivemos aqui dentro.

Estiquei a mão pelo lençol, buscando o calor que meu corpo já aprendeu a exigir.

Vazio.

Frio.

- Dante? - sussurrei, a voz ainda rouca de sono e resquício de medo.

O silêncio me respondeu.

Sentei-me na cama, o coração acelerando num reflexo bobo de quem ainda espera o pior. Mas então eu o vi.

Ele estava na poltrona do canto, perto da janela.

Dante não tinha se trocado. Ainda vestia a calça social preta e a camisa branca do baile, agora com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas de qualquer jeito. A cabeça estava tombada para o lado, o rosto relaxado de um jeito que o mundo nunca vê.

A exaustão, por fim, tinha vencido o guerreiro.

Levantei-me devagar, cuidando para não fazer barulho. Meus pés descalços afundaram no tapete enquanto eu caminhava até ele. Parei a um passo de distância, apenas admirando.

É raro vê-lo assim. Desarmado.

Sem o peso do Don nos ombros, ele parecia... humano demais. Havia sombras arroxeadas sob os olhos, marcas de quem carrega impérios e famílias nas costas sem pedir ajuda.

Levei a mão ao rosto dele. A barba por fazer roçou na minha palma, áspera, real. Deslizei o polegar pela linha do maxilar, descendo até os lábios que, poucas horas antes, tinham prometido destruir quem me tocasse.

Inclinei-me.

Toquei a boca dele com a minha. Um beijo leve, quase um sopro.

No mesmo instante, antes mesmo de abrir os olhos, o braço dele se moveu. Firme. Rápido. Possessivo.

Senti a mão dele na minha cintura e, num movimento único, fui puxada. O mundo girou e eu aterrissei no colo dele, aninhada contra o peito largo que é meu travesseiro favorito.

Ele abriu os olhos. Cinzas. Já alertas, mas banhados de algo que só eu recebo: ternura.

- Acordar com um beijo seu... - a voz dele saiu grave, arranhada pelo sono. - Eu poderia me acostumar a morrer e voltar todo dia, se fosse assim.

Sorri, passando os dedos pelo cabelo dele.

- Você está tentando ser charmoso, Don Vitale. - murmurei. - Mas seus olhos não sabem mentir pra mim.

O sorriso dele vacilou. A máscara do Dante brincalhão caiu, deixando apenas o homem preocupado.

- Eu não consigo esconder nada de você, consigo?

- Não. - respondi, encostando minha testa na dele. - O que aconteceu?

Ele suspirou. Um som longo, pesado.

- A tempestade tem nome, Valentina. E tem história.

E ali, no silêncio do quarto de hotel, ele me contou.

Contou sobre Beatrice. Sobre a tentativa ridícula e desesperada de seduzi-lo na sala de reuniões, o que fez meu sangue ferver e minhas unhas cravarem de leve no ombro dele.

- Ela tentou te tocar? - perguntei, sentindo o ciúme ácido subir.

- Tentou. - ele respondeu, segurando meu rosto. - Mas eu só tenho pele pra você. O resto do mundo é vidro. Eu não sinto.

A raiva diminuiu, dando lugar a uma tensão fria quando ele continuou.

- E a Carmella? - perguntei, lembrando da mulher que me levou para a armadilha.

Dante desviou o olhar por um segundo, olhando para o nada, como quem vê uma cena que prefere esquecer.

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