Quando abri os olhos, a realidade me atingiu como uma onda gelada. O quarto parecia menor, como se as paredes tivessem se aproximado, me cercando.
Minhas mãos ainda estavam na minha vagina, e a respiração saía em soluços curtos, descompassados.
A música continuava a tocar, lenta, carregada de um ritmo que se infiltrava na pele.
O que realmente me fez estremecer, no entanto, foi o olhar dele.
Ele me observava como se tivesse acabado de assistir a um espetáculo feito só para ele.
Os olhos escuros brilhavam com desejo intenso, um desejo cru, desmedido, que me fez corar da cabeça aos pés.
Minha pele ardia. Vergonha, nervosismo e alguma coisa perigosa que eu ainda não sabia nomear se misturavam dentro de mim.
Ele deu um passo à frente, depois outro, e a presença dele pareceu preencher todo o ar do quarto.
— Deite-se.
Disse, a voz grave, baixa, como se não precisasse ser repetida.
— Na beira da cama, com as pernas abertas.
Por um instante, fiquei imóvel, como se minhas pernas tivessem esquecido como se mexer.
Eu sabia o que aquela posição significava. O coração começou a bater mais rápido, e uma pequena parte de mim implorou silenciosamente para que ele não fizesse o que eu estava imaginando.
Mas ao mesmo tempo, havia algo em sua voz que não deixava espaço para recusa.
Caminhei devagar até a beira da cama, sentindo cada passo vibrar dentro de mim.
A colcha macia roçou contra a minha pele, e eu me deitei como ele mandou. Minhas mãos tremiam tanto que precisei cravá-las no colchão para não demonstrar. Abri as pernas com hesitação, o rosto queimando em um rubor que parecia me consumir inteira.
Ele permaneceu por alguns segundos apenas me observando. O olhar dele era tão intenso que parecia um toque. Cada curva minha estava sob aquele olhar pesado, dono, como se ele estivesse catalogando cada pedaço de mim.
Aos poucos, ele caminhou até a beira da cama e parou diante de mim. O som abafado da música se misturava à respiração dele lenta, pesada, carregada de um controle que, de alguma forma, era ainda mais perigoso que a impulsividade.
Não houve palavras. Só aquele olhar.
E então ele levou a mão para o próprio pênis.

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