Na madrugada de inverno, o frio era implacável.
Rebeca desceu vestindo apenas um casaco de lã por cima da roupa, mas ainda assim não conseguia suportar muito bem o frio da noite.
Quando se aproximou, percebeu que Samuel nem sequer estava com um casaco.
Provavelmente, quando ela foi embora, ele nem tinha voltado para o camarote. Saiu sem pegar a jaqueta e a seguiu direto até ali.
Ela ficou um pouco irritada.
Irritada porque ele não cuidava da própria saúde.
E se ela não tivesse acordado no meio da noite e dormisse direto até amanhecer?
Ele ia ficar esperando até de manhã?
Esse cara era burro?!
Ele tinha acabado de se recuperar de uma doença grave, mal estava um pouco melhor e já começava a maltratar o próprio corpo.
Achava mesmo que ainda era um rapaz de vinte e poucos anos, cheio de energia?
Ele tinha 34!
Além disso, ainda lhe faltava um rim...
Ao se lembrar do rim, o nariz de Rebeca começou a arder de vontade de chorar.
A raiva sumiu e seu coração amoleceu.
No fim, ela abriu o próprio casaco de lã e o envolveu com ele.
Que frio.
Mesmo estando vestida por baixo, ela sentiu a friagem que ele carregava.
Samuel também percebeu isso e tentou afastá-la suavemente: — Eu estou gelado.
Apesar de querer muito o abraço dela.
Rebeca o abraçou com ainda mais força, tentando ao máximo transferir o seu próprio calor para ele.
Nas ruas desertas da madrugada, os dois se abraçavam no meio do vento.
Aquela cena fez Rebeca ser levada de volta à noite em que ficaram presos na nevasca, quando foram à Islândia negociar um projeto.
Só que, na época, quem estava quase tendo uma hipotermia por causa do frio era ela.
Ela se lembrou do isqueiro.
Lembrou-se da expressão de dor no rosto de Samuel enquanto queimava a própria palma da mão repetidas vezes.
— Eu também vou.
Realmente estava muito frio, e com as roupas leves que usava, não era bom ficar ali muito tempo.
— Então vá logo. — Rebeca o observou por mais um momento, antes de se virar e caminhar de volta para casa.
Quase chegando no portão do condomínio, ela olhou para trás.
Samuel ainda estava no mesmo lugar, fixando o olhar nela, com uma expressão nobre e, ao mesmo tempo, escondendo uma profunda tentação.
Vendo que ela olhara para trás, Samuel levantou a mão, fazendo um sinal para ela entrar rápido.
Rebeca sabia que se demorasse, ele sairia de lá ainda mais tarde. Então, endureceu o coração e correu para casa.
Ao chegar ao quarto, sua primeira reação foi acender a luz, ir até a janela e olhar lá para baixo.
Samuel ainda continuava no mesmo lugar.
Ela pegou o celular e mandou uma mensagem: [Eu já cheguei no quarto, vai logo para casa.]
Samuel: [Tudo bem.]
Só quando confirmou que ele tinha entrado em um carro e ido embora é que Rebeca se tranquilizou.
Depois de todo esse transtorno, ao se deitar na cama, sua mente já estava totalmente alerta, e ela aproveitou para organizar a bagunça que estava em sua cabeça.

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