Helena sequer olhou duas vezes para Filipe, virando-se imediatamente para perguntar preocupada a Edivaldo: — Ele te bateu? Se machucou? É grave? Precisa ir ao hospital dar uma olhada?
Edivaldo logo respondeu: — Eu estou bem.
Mas Helena viu claramente manchas de sangue no canto da boca dele.
Ela imaginou que Filipe tinha enlouquecido por ter entendido mal a relação entre ela e Edivaldo; afinal, ele já havia dito coisas absurdas desse tipo antes.
Então, Helena usou um tom de questionamento: — Filipe, se você tem algum problema, venha resolver comigo, por que descontar a raiva nos outros?
Na visão de Filipe, aquela cena apenas parecia que ela estava defendendo Edivaldo.
Sua própria esposa, ao vê-lo entrar em conflito com outro homem, escolhia ficar do lado oposto ao dele.
Isso deixou Filipe com um sabor muito amargo no coração.
Ele se levantou do chão com o rosto fechado, os lábios rígidos ligeiramente tensionados, e avançou agarrando o pulso de Helena, impondo de forma dominadora: — Venha para casa comigo.
A primeira reação de Helena foi tentar se soltar da mão dele.
Mas ele segurava com muita força e ainda a machucou.
Helena não só não conseguiu se soltar, como, sob o puxão brusco dele, quase tropeçou e caiu.
Foi Edivaldo quem estendeu a mão e segurou a outra mão dela, salvando-a do desastre.
Duas forças entraram de repente em confronto.
— Solte-a.
— Solte-a!
As duas vozes soaram simultaneamente, cada uma em um de seus ouvidos.
Uma fria e profunda, a outra furiosa.
Edivaldo ergueu os olhos e cruzou o olhar com Filipe, alertando: — Você a está machucando.
Filipe lançou um olhar para o pulso de Helena.
De fato, estava avermelhado pela força que ele fez.
Ele havia apenas afrouxado um pouco.
Helena recolheu a mão imediatamente e foi direto parar ao lado de Edivaldo.
Mais uma vez, ela se colocou do lado oposto ao dele.
A sensação de desconforto no coração de Filipe ficou ainda mais pesada.



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