1h09.
[Eu realmente achei isso o tempo todo.]
2h15.
[Você ainda não quer falar comigo?]
3h09.
[Me desculpe, eu sou um imbecil! Você pode me bater ou me xingar, mas não me ignore, por favor.]
3h38.
[Rebeca, eu quero te ligar.]
A última mensagem tinha sido enviada meia hora atrás.
[Se eu subir agora para te procurar, será que a sua amiga vai chamar a polícia e me mandar prender?]
Subir?
Quando ele mandou essa mensagem, estava na porta do prédio dela?
Rebeca olhou a hora novamente.
Já havia se passado uma hora, ele provavelmente tinha ido embora.
Ela largou o celular e fechou os olhos, querendo voltar a dormir.
Porque estava com muito sono.
Porém, após menos de meio minuto de silêncio, ela abriu os olhos abruptamente, tirou as cobertas e levantou da cama.
Sem sequer calçar os chinelos, correu descalça até a janela, afastando a cortina para olhar lá para baixo.
A luz do poste era amarelada e fraca, as sombras das árvores oscilavam.
O homem estava de pé ao lado do poste, contra a luz. Na meia-penumbra, ele erguia a cabeça, olhando na direção dela.
Os olhares se encontraram de longe. O coração de Rebeca começou a bater de forma descompassada, como se um calor indescritível se agitasse desenfreadamente em seu peito.
Samuel a viu.
E pegou o celular para ligar para ela de novo.
Rebeca atendeu, mas não disse nada.
Apenas a sua respiração, leve e ligeiramente irregular, podia ser ouvida.
— Te acordei e agora não consegue dormir? — A voz dele soou serena em meio ao som suave do vento noturno.
Rebeca apenas murmurou que sim.
— Eu fui apressado demais. — Ele se desculpou.
Rebeca perguntou: — Você me seguiu desde o clube?
— Uhum.
Ele chegou logo depois dela.
Rebeca ficou em silêncio, continuando a amassar o tecido da cortina.
O som do atrito passava pelo celular e chegava aos ouvidos de Samuel.
Ele fez uma pausa e perguntou cuidadosamente: — Você quer falar comigo agora?
Ele continuava de cabeça erguida, olhando para a janela dela.
— O que você acha? De quem é a ligação que eu atendi? De um cachorro?
Mesmo sendo xingado, Samuel não se ofendeu, pelo contrário, ficou muito feliz.
— Me espera, vou subir aí agora!
Rebeca ficou tensa na mesma hora: — Você não tem mais medo que a Helena chame a polícia?
— Não!
Agora, mesmo que um exército estivesse em seu caminho, ele enfrentaria qualquer coisa só para aparecer na frente dela.
— Me espera!
Ele já começara a se mover, caminhando com passos firmes e decididos em direção ao condomínio.
— Espera um pouco! — Rebeca o interrompeu apressadamente.
Helena já estava dormindo, não queria perturbá-la.
Ela soltou a cortina que apertava nas mãos e disse ao telefone: — Eu desço.

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