Essa pergunta fez Rebeca erguer uma sobrancelha.
Ela se lembrava dessa resposta.
Ser o amante em nome do amor.
Cinco anos atrás, na noite em que ela planejava pedi-lo em casamento, Rui fez exatamente essa pergunta.
Rebeca tinha ouvido muito bem.
E também se lembrava com muita clareza.
Porque aquele foi o momento em que os sonhos de seus sete anos se despedaçaram.
Samuel não respondeu de imediato, e seu olhar profundo e ardente pousou lentamente sobre Rebeca.
Mas ela desviou o olhar, ignorando a atenção dele com uma expressão calma e indiferente. Para quem visse de fora, não haveria qualquer vestígio de intimidade entre os dois.
Samuel falou sem pressa, e a resposta que deu foi exata, palavra por palavra, a mesma de cinco anos atrás:
— Ser o amante em nome do amor.
Os cantos dos lábios de Rebeca se moveram levemente em um sorriso mudo.
Samuel se recostou no sofá. A luz ambiente e turva iluminou o fundo de seus olhos, como se fosse absorvida por um buraco negro, profundo e escuro.
A reação de Rui continuou tão exagerada quanto antes: — Que tipo de mulher foi essa para te fazer amar de forma tão submissa?
Os outros também ficaram curiosos.
Samuel, porém, cortou a conversa de forma casual: — As regras do jogo dizem que só se pode fazer uma pergunta por vez.
Rui esfregou as mãos, ansioso: — De novo! Hoje à noite eu descubro a resposta de qualquer jeito!
— Vai depender se você tem a capacidade para isso. — Samuel respondeu, totalmente despreocupado.
Na segunda rodada, a vez foi de um amigo de Rui.
A pergunta foi se ele amava ou não a própria esposa.
O homem riu: — Casamento por conveniência, quem liga para amor?
Rui não concordou: — Mesmo sendo casamento por negócios, dá para escolher alguém de quem se goste.
O outro continuou rindo: — Pense maior. Você pode ir encontrando alguém que te agrade depois do casamento, desde que não deixe isso se tornar um escândalo público.
Aquela era a realidade da maioria dos casamentos arranjados.
Ao longo de todos esses anos vivendo no meio corporativo, Rebeca já tinha visto demais e não se surpreendia.
Os olhos de Mariah estavam ardendo. Ela bebeu mais duas doses em sequência e já se preparava para a terceira.
Israel segurou a mão dela que erguia o copo, a expressão gelada ao extremo: — O que diabos você está fazendo?
Mariah finalmente perdeu o controle.
Perdeu toda a postura e perguntou em meio a soluços: — Nem um casamento inteiro serviu para me dar uma resposta?
A força que apertava a mão dela foi se esvaindo.
Israel voltou a se recostar no sofá, com a voz tão calma que não transparecia emoção alguma: — Nenhuma.
— Nunca estive com nenhuma outra pessoa.
A resposta pegou Mariah de surpresa.
E também a todos os outros na sala.
Alguém perguntou: — Então o que aconteceu entre você e a Beatriz?
Sobre aqueles dois, Rui era quem conhecia os detalhes.
Anos atrás, ele havia perguntado a Israel, que respondeu nunca ter se envolvido com Beatriz.

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