Foi a própria Beatriz que espalhou o boato no país de propósito.
Eles dois nem sequer estavam no mesmo continente na época.
Mas nunca ter tido nenhuma outra namorada?
Rui olhou confuso para Samuel.
O olhar de Samuel era intenso, fixo em Israel: — Isso é verdade?
— É. — respondeu Israel de forma afirmativa. — Não tenho motivo para mentir num momento desses.
— Doze anos atrás, na loja de conveniência fora do Colégio Estadual de Rionova, você e a Rebeca não namoraram publicamente?
Samuel citou até a hora e o local com precisão, como se fosse um fato inquestionável.
Até mesmo Israel, o envolvido direto, ficou paralisado por um momento.
Ele olhou para Samuel e depois para Rebeca.
Rebeca, que tentava se manter distante de tudo, também estava estupefata.
Doze anos atrás?
Colégio Estadual de Rionova?
Será que ele estava se referindo a quando eles fingiram namorar?
Rebeca ergueu o olhar e deu de cara com aqueles olhos escuros e insondáveis.
A mandíbula do homem estava rígida, e no fundo de seus olhos parecia se formar uma tempestade.
Israel finalmente se lembrou e explicou: — Foi um mal-entendido. Naquela época, a área perto do colégio não era muito segura. Para espantar uns delinquentes, fingi ser o namorado dela por um tempo, acompanhando-a na saída da aula.
— Então vocês estavam só fingindo ser um casal? — Rui ficou chocado.
Esse... esse mal-entendido foi longe demais.
Israel confirmou balançando a cabeça: — Sim, foi só um fingimento, a mando da minha mestra.
Naquela época, a Professora Jade tinha acabado de aceitar Rebeca como aluna e era muito protetora com a mais nova aprendiz.
Quando soube que Rebeca quase foi assediada por uns delinquentes, mandou Israel atuar como guarda-costas pessoal dela.
Ainda disse que, se acontecesse algo com Rebeca, a culpa seria inteiramente dele.
Por isso, Israel assumiu o papel de protetor por um tempo.
— Desculpem-me, tenho um compromisso e preciso ir. Aproveitem a festa.
Ela nem quis esperar a ligação de Helena e decidiu ir embora logo.
Não queria se envolver naquela bagunça toda.
Mas, assim que fez menção de se levantar, sua mão foi agarrada com força por Samuel, apertando-a firme.
Como se ele segurasse algo extremamente importante.
Rebeca franziu o cenho, prestes a perguntar o que ele estava fazendo.
Samuel, no entanto, pegou diretamente a taça de vinho da mesa e a virou na boca de uma só vez.
Rui ficou de queixo caído: — Samuel, o que você tá fazendo?
Samuel não respondeu; tomou três taças seguidas.
Engolindo o último gole, pousou o copo e finalmente abriu a boca: — Peço desculpas. A resposta para a pergunta que me fizeram há pouco estava errada, então me puni bebendo três taças como pedido de desculpas.
Alguém perguntou confuso: — Qual pergunta? Aquela de "ser o amante em nome do amor"?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta