Cada compressão no peito daquela mulher era como uma chicotada de culpa, punindo-o por ter traído um coração sincero.
Mesmo assim, Samuel Batista não desistiu, continuando a fazer a massagem cardíaca nela.
Ele tinha acabado de ter alta do hospital e seu corpo ainda estava fraco.
Durante mais de dez minutos, ele pressionou até que seus braços ficassem dormentes, pesados e quase sofressem cãibras.
Mas ele continuou.
Ele não podia desistir.
Havia apenas um pensamento em sua mente.
Salvá-la.
Ele precisava salvá-la de qualquer jeito.
Era como se não estivesse salvando uma estranha que encontrou na rua.
Mas sim a mulher para quem ele mais devia no fundo do seu coração.
Rui Passos acelerou o carro, furando sinais vermelhos e chegando ao hospital na velocidade máxima.
Assim que as portas se abriram, a equipe médica assumiu rapidamente os primeiros socorros, colocando a mulher em uma maca enquanto continuavam as compressões.
O grupo correu com ela pelos corredores até sumir nas portas da sala de emergência.
Muito tempo depois que aquelas portas se fecharam, Samuel Batista ainda não tinha conseguido se recuperar.
Suas mãos tremiam incontrolavelmente ao lado do corpo.
— Tem um cigarro? — ele perguntou a Rui Passos.
Rui teve que ir até a rua comprar um maço para ele.
Na área de fumantes do hospital.
Samuel Batista tragava o cigarro repetidas vezes, uma lufada após a outra, como se só assim conseguisse sentir que ainda estava vivo.
Ao ficar cara a cara com a morte, ele finalmente percebeu com clareza o quão assustadora foi a situação que Rebeca Ribeiro enfrentou no passado.
Se pudesse, ele voltaria no tempo.
Para encontrá-la e abraçá-la bem forte.
Para dizer a ela: "Não tenha medo, eu estou aqui com você".
Em vez de deixá-la enfrentar a morte sozinha.
Se pudesse, ele voltaria ainda mais no tempo.
Antes que ela bebesse aquela primeira taça de álcool por ele, para arrancar o copo de suas mãos e beber em seu lugar.
Ele não a deixaria aprender a bajular clientes, nem a se esgotar de tanto trabalhar.
Ela não precisaria se adaptar às regras cruéis do mundo dos negócios.
Não precisaria se transformar em uma mulher de ferro.
Ou, talvez, voltasse ao exato começo de tudo.
Antes que ela decidisse desistir de estudar no exterior, para dizer a ela que nunca abandonasse seus sonhos por ninguém.
Samuel Batista entregou o papel para Rui Passos.
— Deposite cinquenta mil. Se não for suficiente, me avise. E contrate uma cuidadora de confiança para ela.
Ele fez uma pausa e acrescentou em um tom frio:
— E coloque alguém para vigiar aquele homem. Não deixe que ele chegue perto dela em hipótese alguma.
Rui Passos não perguntou o motivo daquilo tudo.
Afinal, a mulher era apenas uma estranha na rua.
Mas só Samuel Batista sabia a verdade.
Quem ele realmente queria salvar nunca foi aquela mulher.
Só que, por mais que ele fizesse, sempre estaria em dívida com uma única pessoa.
Uma dor aguda e indescritível devastou seu coração...
Doeu tanto que ele perdeu as forças até para ficar de pé.
Ele se sentou sozinho em uma das cadeiras de espera do corredor, precisando de muito tempo para conseguir respirar normalmente de novo.
O pronto-socorro era, sem dúvida, o setor mais caótico do hospital.
A luz vermelha acima da porta, que tinha acabado de se apagar, acendeu mais uma vez.
Mais uma vítima de acidente de carro, coberta de sangue, foi trazida às pressas pela equipe.

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