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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 896

Não era à toa que, naquela época, ela andava armada de espinhos, ferindo quem chegasse perto.

Se ele tivesse dedicado um pouco mais da sua atenção a Rebeca.

Se tivesse demonstrado o mínimo de cuidado.

Se tivesse se comunicado com ela de verdade.

O destino deles teria sido diferente?

O problema é que a vida não vende pílula do arrependimento.

No mundo real, não existem essas suposições.

Chegar àquele ponto havia sido obra exclusiva da sua própria estupidez.

Ele não tinha mais nenhum direito de implorar por perdão.

Nem ele mesmo conseguia se perdoar.

Rebeca Ribeiro...

Aquele nome soava como uma garra de aço esmagando seu coração. Roubava-lhe o ar e paralisava o sangue em suas veias.

Rui Passos seguiu calado até deixar o amigo em sua residência atual.

Honestamente, até agora Rui se recusava a acreditar que Samuel Batista estava morando no antigo apartamento alugado por Rebeca.

O lugar era minúsculo.

Era menor que o banheiro da suíte principal de Rui.

E ainda assim, Samuel estava enfiado ali há quase seis meses.

Sem dar o menor indício de que pretendia se mudar.

Aquele tipo de imóvel popular passava longe de ter qualquer conforto.

Sem contar que a vizinhança era o mais caótico possível.

Rui fez questão de acompanhá-lo até a porta. Estava no meio de um sermão sobre tomar os remédios na hora certa e se alimentar direito.

De repente, um grito rasgou o corredor, vindo direto do apartamento ao lado.

— Socorro! Alguém me ajuda!

Estão vendo?

Nem as portas daquele lugar tinham isolamento acústico.

Rui abriu a boca para insistir que Samuel se mudasse para o Residencial Aurora do Atlântico para focar em sua recuperação.

Não teve tempo.

A porta do vizinho foi escancarada com violência.

Um brutamontes enfurecido, com os braços cobertos de tatuagens, arrastava uma mulher pelos cabelos corredor afora.

— Esquece ele! Abre o elevador, nós vamos pro hospital agora!

Rui acertou mais um soco no desgraçado apenas por precaução, antes de correr para ajudar.

O carro rasgou as ruas em alta velocidade.

No trajeto, Samuel já havia acionado a emergência do hospital para prepararem uma equipe médica na porta.

Quando o médico de plantão perguntou sobre o estado da paciente, a voz de Samuel estava trêmula.

— A paciente é gestante. Está com sinais claros de aborto espontâneo. Os sinais vitais estão muito fracos...

Ele nem conseguiu terminar a frase, pois Rui gritou:

— Samuel! Ela parece que parou de respirar!

O desespero tomou conta. Samuel iniciou a manobra de ressuscitação cardiopulmonar ali mesmo.

Cada compressão era puramente instintiva.

Mas não importava o quanto ele lutasse, a mulher não respondia.

Aquele rosto estava de um branco quase translúcido, macabro.

A menos de um metro de distância da mulher grávida perdendo a vida, a mente de Samuel entrou em colapso.

A cada segundo que passava, o sufocamento o arrastava mais e mais para o abismo.

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