Essa pessoa, infelizmente, não teve a mesma sorte daquela mulher. Menos de meia hora depois de entrar, o óbito foi declarado.
A família caiu de joelhos no chão, chorando de forma devastadora. Um homem implorava aos prantos para que os médicos tentassem de novo, gritando que não podia viver sem a esposa e que seus filhos não podiam ficar sem a mãe.
O médico, com uma expressão pesada, só pôde murmurar seus pêsames.
A despedida mais dolorosa do mundo, sem dúvida, era a morte.
Era infinitamente mais cruel do que qualquer separação em vida.
Porque não deixava sequer um pingo de espaço para arrependimentos.
Assistir àquela cena fez um calafrio gelar a espinha de Samuel Batista. Uma tempestade sombria tomou conta de seus olhos por um instante.
De repente, ele se levantou e começou a caminhar apressado em direção à saída.
Rui Passos, que voltava da recepção após pagar a conta, o viu indo embora e correu atrás dele.
— Samuel, aonde você vai?
— Atrás da Rebeca Ribeiro.
— Hã? Agora? — Rui Passos olhou boquiaberto para o estado deplorável em que ele estava, achando aquilo uma péssima ideia.
Por ter salvado aquela mulher, as roupas de Samuel Batista estavam manchadas de sangue.
Depois de secar, o sangue deixou marcas escuras e assustadoras espalhadas por todo o seu paletó.
Ele parecia uma verdadeira visão do caos, sem um pingo de sua elegância habitual.
Rui Passos deu uma corridinha para alcançá-lo.
— Não acha melhor voltar para casa e trocar de roupa primeiro?
Samuel Batista pareceu completamente surdo às palavras do amigo.
Continuou andando, até que Rui Passos disparou a cartada final:
— Você vai assustá-la desse jeito.
Só então ele parou bruscamente e olhou para baixo, examinando a si mesmo.
Estava mesmo imundo e assustador.
De fato, precisava trocar de roupa primeiro...
Mas a verdade é que ele mal conseguia esperar um segundo a mais para ver Rebeca Ribeiro.
...
— Presidente Ribeiro, não acha melhor ir ao hospital fazer um exame? — perguntou Marina Domingos, com a voz cheia de preocupação.
Os passos de Rebeca Ribeiro hesitaram por uma fração de segundo. Ela suportou a dor latejante em seus joelhos antes de voltar a caminhar com firmeza.
Naquele dia, logo depois de escrever a frase inteira, ela percebeu que havia colocado no papel o desejo mais profundo e obscuro escondido em seu coração.
Aqueles sentimentos que pareciam mortos e enterrados já tinham começado a formar ondulações dentro dela.
E como uma brisa suave e constante, essas ondas continuavam se espalhando, camada por camada, recusando-se a parar.
Era algo incontrolável.
Por isso, em um momento de pânico, ela tinha rasgado o papel ao meio.
Escondeu a segunda metade da frase com ela, entregando-lhe apenas a primeira, dizendo-lhe simplesmente para ficar vivo e bem.
Ela se sentia extremamente frustrada consigo mesma.
Mas toda vez que se lembrava do que ele tinha feito por ela, todo o seu aborrecimento simplesmente desaparecia.
Era como se ela estivesse presa em uma armadilha invisível.
A Rebeca do passado teria lutado com todas as suas forças, recusando-se a abaixar a cabeça, recusando-se a olhar para trás.
Mas desta vez, parecia que ela havia desistido de lutar.
Ela estava apenas ali, assistindo impotente enquanto as grossas muralhas que tinha construído em volta do seu coração desmoronavam, tijolo por tijolo, até virarem ruínas...
E, pior ainda, ela não conseguia fazer absolutamente nada para impedir.

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