— Rebeca Ribeiro, você e o Samuel Batista ainda vão pagar muito caro! — Simone explodiu, furiosa com a indiferença alheia. — Um brincou com os sentimentos da minha prima! A outra roubou tudo o que era dela! Vocês vão queimar no inferno!
Rebeca ergueu o olhar, frio e implacável, e a rebateu:
— Se pragas funcionassem, a sua prima não teria acabado num hospício.
Com uma paciência rara, ela acrescentou:
— Além disso, se o brilho fosse realmente da sua prima, ninguém poderia ter roubado. Se foi tirado, é porque ela furtou primeiro. Nunca pertenceu a ela.
O tom desprovido de qualquer calor humano fez Simone engasgar.
No fundo, ela sabia a verdade.
Apenas não suportava engolir a derrota.
A vida miserável que levava agora a fazia odiar com todas as forças aquela mulher impecável que a olhava de cima.
— E o Samuel? Por que ele enganou a minha prima? O noivado era falso! O carinho era falso! Ele mesmo mandou ela e a minha tia para a cadeia!
— Ele nunca amou a Beatriz! Nunca!
A loucura brilhava nos olhos injetados de Simone.
Um lampejo de surpresa cruzou o rosto de Rebeca, logo substituído por uma expressão complexa e indecifrável.
Os gritos histéricos de Simone atraíram os seguranças do Encanto.
Percebendo a situação, agiram rápido, imobilizando a mulher e tapando sua boca.
Afinal, Rebeca era uma cliente VIP do estabelecimento e não podia ser ofendida daquela forma.
— Presidente Ribeiro, quer que a gente chame a polícia?
— Não é necessário. — Rebeca sequer olhou para Simone novamente antes de dar as costas e sair.
Os funcionários chamaram o gerente. Ao ver quem era a baderneira, o rosto do homem escureceu.
— Você de novo? A surra da última vez não foi suficiente? Veio caçar cliente aqui de novo, sua desgraçada!
Simone encolheu-se, aterrorizada.
— Me desculpe! Me desculpe, juro que não foi de propósito!
O pedido de desculpas era puro instinto. Nascia do medo mais profundo de sua alma.
Tempos atrás, ela estava fazendo programas clandestinos no Encanto, até ser flagrada pela esposa de um dos clientes.
Conseguiu o benefício de cumprir pena em prisão domiciliar após desenvolver pancreatite severa.
Sem ter a quem recorrer, acabou indo morar de favor com Simone.
Larissa Dourado foi a primeira a notar o andar torto de Simone e perguntou apressada:
— O que aconteceu? Você caiu?
— Fui espancada. — Simone resmungou, cheia de ódio.
Larissa levou as mãos ao rosto, penalizada.
— Meu Deus, foi muito grave?
— Dá pra aguentar. — Simone fez uma careta de dor e virou-se para Bianca: — Tia, teve alguma notícia da Beatriz?
Bianca balançou a cabeça, derrotada.
— Nada. Perguntei a todos que podia. Ninguém sabe dela.
Assim que saiu da prisão, foi atrás de Beatriz Luz. Mas o hospício a informou que Beatriz havia fugido durante uma confusão no ano anterior, e desde então, seu paradeiro era um mistério.
— Mas ela não é louca de verdade. Se fugiu mesmo, já deveria ter vindo procurar a gente. — Simone murmurou, desconfiada.

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