Era a segunda vez que Rebeca Ribeiro sentia na pele o tormento da espera.
A primeira havia sido durante a cirurgia de Klara Rocha.
Cada segundo arrastava-se como uma tortura.
Seu olhar estava cravado nas portas do centro cirúrgico. Os lábios, cerrados com força. As lágrimas teimavam em subir aos olhos.
Suas mãos estavam assustadoramente geladas.
Sete anos, seguidos de mais cinco.
Doze anos de idas e vindas. Diante da morte, tudo aquilo parecia uma gota no oceano.
Pelo que ela ainda lutava?
Qualquer rancor era pequeno diante do fim.
Ela não queria mais saber de nada.
Só queria que Samuel Batista vivesse.
Que vivesse bem.
...
Antes de viajar a trabalho para a Cidade R, Talita Alves mandou mensagem para Helena Castro, convidando-a para beber.
As duas, que haviam desenvolvido uma amizade improvável e instantânea, não paravam de falar desde que se encontraram.
Helena Castro reclamava que os garotos de programa do Encanto estavam de péssima qualidade, que as fotos não condiziam com a realidade.
Talita deu risada:
— E de que tipo você gosta? Deixa que depois eu dou uma procurada para você.
— Tem que ser bonito. — Helena respondeu.
— Só isso? — Talita ergueu uma sobrancelha.
— São dois requisitos. Alto e bonito. — Helena corrigiu.
Talita processou a informação e caiu na gargalhada.
— Achar alguém que cumpra esses dois requisitos ao mesmo tempo não é fácil!
— É por isso que perdeu a graça. — Helena suspirou, entediada.
— Na próxima vez que for à Cidade L, eu te levo para abrir os horizontes. — Talita serviu mais bebida para ela. — Beber é bom, mas tem que ter homem junto. Se você passar do ponto, ele cuida de você. Se você ficar no ponto, ele resolve a sua carência.
Diante dos absurdos que as duas falavam, Rebeca Ribeiro mantinha o silêncio de sempre.
Até porque não sabia nem como opinar.
Às nove e dez da noite, Rui Passos mandou uma mensagem avisando que Samuel Batista teria alta no dia seguinte.
Rebeca pairou os dedos sobre o teclado, querendo digitar algo, mas as palavras lhe faltavam.
Segundos depois, outra mensagem de Rui:
— Você vem buscar ele?
Mas o homem a ignorou completamente.
Vendo sua diversão ir por água abaixo, a mulher se enfureceu e partiu para cima da estraga-prazeres.
Porém, no instante em que o rosto de Rebeca Ribeiro ficou nítido sob a luz, sua expressão congelou.
Rebeca não a reconheceu de imediato.
A maquiagem de Simone Silva estava exagerada demais.
Rebeca não deu muita atenção. O olhar passou direto por ela, pronta para seguir seu caminho.
Mas, ao passarem lado a lado, a mulher sibilou:
— Rebeca Ribeiro. Você é como um fantasma que não me deixa em paz.
Rebeca parou e a avaliou de soslaio. Levou alguns segundos até finalmente ligar os pontos.
Era Simone Silva.
Estava irreconhecível.
Havia ganhado peso e exalava uma aura pesada de vulgaridade e noitadas baratas.
Quanto à acusação, Rebeca não se deu ao trabalho de rebater.
— Sinto muito por interromper o seu show particular. Mas, da próxima vez, tenha a decência de escolher um lugar adequado. — alertou, com educação fria.
O rosto de Simone se contorceu. Era difícil dizer se de vergonha ou de ódio.

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