Helena Castro franziu a testa na mesma hora.
— Qual é o problema desse cara? Eu já tinha avisado para ele parar de te incomodar!
Ao ouvir aquilo, Rebeca paralisou.
— Você avisou a ele?
Helena percebeu que tinha falado demais. Tentar negar agora seria inútil.
Ela teve que confessar a verdade.
— É que... eu vi o quanto você andava estressada por causa dele ultimamente. Fiquei com medo de você se machucar de novo, então dei um pequeno aviso.
— Um pequeno aviso?
— Tá bom, eu o ameacei! Falei que se ele ousasse aparecer para te perturbar de novo, eu ia acabar com a raça dele!
Rebeca não aguentou e cobriu o rosto com a mão, suspirando.
Agora tudo fazia sentido. Era por isso que Samuel soltara aquela piada absurda sobre voltar para o fundo do lago.
Foi por causa da ameaça da Helena.
O que mais chocava Rebeca, porém, era saber que Samuel Batista realmente havia levado a sério um aviso dado por Helena Castro.
— Vê se não seja tão impulsiva da próxima vez. — Rebeca estava tocada, mas muito preocupada. — Não importa a situação, o Samuel ainda é um membro da família Batista. Ele já foi aquele playboy intocável que mandava e desmandava no mundo. Para ele destruir alguém sem contatos como você, é estalar os dedos.
Ela morria de medo de que Helena sofresse consequências por defendê-la.
Helena sabia muito bem do perigo, mas deu de ombros.
— Na hora eu confesso que fiquei morrendo de medo. Mas quando lembrei de você com os olhos vermelhos de chorar, eu joguei o medo pela janela.
— Mas relaxa, ele não fez nada. E ainda quase chorou quando eu dei a bronca.
— Claro, eu não sou boba. Sei perfeitamente que ele só aturou a minha ousadia por sua causa.
Nesse ponto, Helena tinha plena consciência de seu lugar na cadeia alimentar.
Ela segurou as mãos de Rebeca apertado.
— Eu só não suporto pensar em como ele te tratou no passado.
Rebeca apoiou a cabeça no ombro da amiga, com a voz embargada e distante.
— Eu achei que já tinha superado tudo isso. Passei todos esses anos sem olhar para trás. Mas, de uns tempos pra cá, não sei o que aconteceu... sinto que estou sendo afetada de novo.
Quando foi que tudo começou?
Talvez tenha sido no dia em que ela o viu arriscar a própria vida para ser atingido pelo carro da Eloá Drummond no lugar dela.
Ou talvez quando soube que ele se jogou no mar, sem pensar duas vezes, para salvá-la.
Ou pior: quando descobriu que ele foi aquele homem misterioso que, sozinho e arriscando tudo, invadiu o cativeiro dos sequestradores e levou um tiro só para resgatá-la com vida.
Não dever nada a ele. Estarem quites. Aquilo soava muito bem.
Rebeca abraçou aquele pensamento.
Ela torcia para que aquela balança se mantivesse em perfeito equilíbrio.
Com o tempo, aquelas oscilações estranhas no seu coração iriam desaparecer.
E tudo voltaria ao seu devido lugar.
Sim, ela desejava do fundo da alma que tudo voltasse a ser como antes.
Mas...
O equilíbrio sempre foi algo fácil de ser destruído.
Uma semana depois.
Rui Passos invadiu a VerdaVita de forma abrupta.
Rebeca Ribeiro estava no meio de uma reunião tensa. A entrada violenta dele deixou a sala inteira em choque.
Marina Domingos correu atrás dele, pálida, tentando se explicar para a chefe.
— Me desculpe, Presidente Ribeiro! Eu juro que tentei segurá-lo! Vou chamar os seguranças para tirá-lo daqui agora mesmo!

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