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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 890

Percebendo que ela havia acordado, Marina Domingos perguntou se podiam voltar.

Rebeca pensou um pouco antes de responder:

— Vá para o Lago Cristalino. Quero tomar um ar.

— Sim, senhora.

Marina já estava acostumada. Aquele era um dos refúgios favoritos de Rebeca.

Ela manobrou o carro com habilidade e parou no estacionamento térreo da entrada.

Rebeca desceu sozinha e disse a Marina para não acompanhá-la. Voltaria logo.

O outono era a melhor época na Cidade R. Não tinha a agitação da primavera, o calor sufocante do verão, nem o frio cortante do inverno.

O vento de outono era perfeito para varrer pensamentos pesados.

Rebeca caminhou pela margem do lago por um tempo, até que o último traço de embriaguez sumisse do seu corpo.

Quando finalmente parou de andar, percebeu que, sem querer, havia chegado exatamente ao ponto onde jogara a aliança fora anos atrás.

Ela achava que, depois de tanto tempo, já teria esquecido o que sentiu naquele dia.

Mas estar ali, parada no mesmo lugar, fez com que as memórias voltassem com uma nitidez assustadora.

Inconscientemente, ela desceu os degraus até chegar bem perto da água.

Agachou-se e esticou a mão, tocando a superfície do lago.

A água de outono era gelada. O frio subiu direto pelas pontas dos dedos.

Rebeca recolheu a mão instintivamente.

Quando fez menção de levantar, a menos de um metro de distância, uma figura rompeu a superfície da água.

Com um mergulho ruidoso, a pessoa emergiu, dando um susto terrível em Rebeca.

Por sorte, os postes de luz ali perto eram fortes. Se estivesse escuro, ela teria gritado a plenos pulmões.

Assim que engoliu o susto, focou os olhos e viu um rosto familiar.

Os dois se encararam, pegos totalmente de surpresa. Ficaram paralisados.

O olhar de Samuel Batista cravou no rosto dela. O lago morto que era o seu coração de repente foi tomado por ondas intensas, espalhando marolas incontroláveis por dentro.

Mas, no segundo seguinte, a ameaça de Helena Castro ecoou na sua cabeça.

"Por favor, desapareça do mundo dela. Para todo o sempre!"

O rosto do homem refletia na água escura, e a água pingava dos seus cabelos bagunçados.

Do peito para baixo, ele continuava submerso no lago gélido.

Mas ele parecia não ligar para nada disso. Apenas fixou o olhar intenso em Rebeca e disse, devagar:

— Eu não sabia que você vinha. O que eu faço agora? Você quer fechar os olhos e me dar uns segundos para eu afundar de novo?

Ele ficou ali, sentado na beira do lago, em silêncio, assistindo à água voltar à calmaria.

Como se nada tivesse acontecido.

Como se o encontro de minutos atrás não passasse de uma miragem.

E aquele coração, que por um momento batera forte e quente, foi esfriando de novo, engolido pelo vento gelado do outono.

Quando Rebeca chegou em casa, Klara Rocha já estava dormindo.

Helena Castro continuava acordada, esparramada no sofá da sala, rolando a tela do celular.

— Não era um voo às sete? Como você chegou tão tarde?

— Fui a um jantar de negócios.

— Mesmo assim, não dura quatro horas, né.

— Fui dar uma volta no Lago Cristalino para tomar um ar e cortar o efeito do álcool.

Helena soltou um "Ah", mas a olhou de um jeito esquisito.

— Por que você está com essa cara de quem viu um fantasma?

Rebeca serviu um copo de água, deu vários goles e, finalmente, confessou:

— Eu encontrei o Samuel Batista no lago.

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