No dia seguinte, Ivan Lobato apareceu pessoalmente na VerdaVita para implorar por perdão.
Rebeca Ribeiro olhou para ele, completamente perdida.
— Acho que houve algum mal-entendido, Diretor Lobato.
Ivan enxugava o suor da testa com um lenço, tremendo.
— Minha nova esposa não tem experiência de vida. É uma mulher fútil, que não pensa antes de falar. Se ela ofendeu a Presidente Ribeiro de alguma forma, eu peço as minhas mais sinceras desculpas. Por favor, seja superior e não leve a sério as bobagens daquela ignorante.
— Sinto muito, Diretor Lobato, mas eu realmente não fiz nada contra o senhor. E quanto às palavras da sua esposa, elas sequer ocuparam espaço na minha cabeça.
Se Rebeca parasse para ligar para cada fofoca ou insulto, nunca teria chegado onde estava.
Quanto mais alto você sobe, maior se torna a sua visão e o seu alcance.
Simplesmente não sobra tempo para lidar com lixo.
Ivan Lobato pediu mil desculpas, mas seus projetos continuaram congelados.
A frustração o consumia. Ao chegar em casa e ver a causadora de sua ruína, seu sangue ferveu.
Em um ataque de fúria, ele deu uma surra em Sabrina Capelo e a proibiu terminantemente de voltar a se encontrar com o clube das madames.
Mas isso, claro, era história para outra hora.
Assim que Ivan saiu da sala, Rebeca deletou o assunto da memória.
Ela estava ocupada demais.
Ocupada a ponto de não ter tempo nem para acompanhar as fofocas.
Após uma semana inteira viajando a negócios, mal havia desembarcado e já recebeu um convite para um jantar do Bento Rocha.
Como precisava discutir um assunto com ele, decidiu ir direto para lá.
Quando chegou, o jantar já estava acontecendo. Eram apenas rostos conhecidos.
Na verdade, o verdadeiro motivo do convite de Bento era pescar informações sobre a Cora.AI.
— Ouvi boatos de que a VerdaVita vai vender todas as ações da Cora.AI. É verdade?
Rebeca não se esquivou.
— É verdade.
Todos naquela mesa eram raposas velhas do mundo dos negócios, cada um calculando os próprios passos em silêncio.
No meio das taças de vinho, alguém perguntou casualmente:
— Ué, o Diretor Batista não vai voltar? Ele foi ao banheiro ou a outra cidade? Eu ainda queria falar com ele sobre aquela parceria com o Grupo Batista.
A mão de Rebeca parou no meio do caminho até a boca.
O "tio Marcos" já não frequentava aquele tipo de evento social há anos. Obviamente, o "Diretor Batista" que mencionavam não era ele.
O vinho caro que Bento Rocha serviu era forte, e o efeito começava a pesar.
Marina Domingos olhou pelo retrovisor.
— Vamos direto para casa?
— Dirija por aí um pouco. Preciso tomar um ar para ficar sóbria.
Ela não queria chegar em casa cheirando a álcool e ter que aguentar a dona Klara Rocha reclamando.
Marina obedeceu e começou a dirigir pelas ruas, sem destino fixo.
No meio do caminho, Rebeca cochilou. Com um sobressalto do carro, ela abriu os olhos.
Naquele estado de meia-lucidez, a mente ainda estava turva.
Mas a visão estava afiada.
Pela janela, o vulto de um prédio inacabado, abandonado há cinco anos, passou voando.
Continuava escuro como breu.
Um contraste bizarro e doloroso com o brilho da cidade ao redor.
O semáforo abriu, o carro acelerou, e a mente de Rebeca finalmente despertou por completo.
O álcool parecia ter evaporado um pouco mais.

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