Como líder do Grupo Cruz, era natural que Filipe Cruz estivesse ali.
Durante a conferência, Filipe Cruz olhou para Rebeca Ribeiro várias vezes, com uma expressão de quem queria dizer algo, mas não sabia como.
Rebeca Ribeiro não se deu ao trabalho nem de encará-lo.
Deixou bem claro que não queria o menor contato com ele.
Se Filipe Cruz tivesse um pingo de dignidade, teria percebido isso e recuado.
Mas, infelizmente, ele era o tipo de pessoa sem noção.
No passado, quando Helena Castro ainda o amava, ele mantinha um caso mal resolvido com Roberta Lobato, sem saber o seu próprio lugar.
Agora, ignorava o repúdio evidente das pessoas e fazia questão de se aproximar para puxar assunto.
— Presidente Ribeiro. — chamou Filipe Cruz, tentando pará-la.
Rebeca Ribeiro ia fingir que não ouviu, mas um parceiro de negócios ao lado a avisou que o Diretor Cruz a chamava.
Ela foi obrigada a virar para Filipe Cruz, com um sorriso plastificado no rosto.
— O Diretor Cruz deseja alguma coisa?
— Ela... está bem?
— Quem? — Rebeca Ribeiro se fez de desentendida.
— Helena Castro.
— Ah. Achei que o Diretor Cruz estivesse perguntando sobre a Srta. Lobato. Afinal, ela que é a menina dos seus olhos, sua joia preciosa.
De tanto andar com Helena Castro, ela também tinha aprendido a ser afiada e irônica.
E, sinceramente? Dava um prazer enorme.
Quanto pior ficava a expressão de Filipe Cruz, mais satisfeita ela se sentia.
— Eu já decidi mandá-la para fora do país, já até falei isso para a Helena. Espero que você possa conversar com ela depois, para voltarmos a ficar bem.
O tom dele já não tinha a arrogância de antes, mas o que ele insinuava ainda a fez franzir a testa em profundo desgosto.
— O Diretor Cruz já ouviu o ditado sobre não chorar pelo leite derramado? Se não ouviu, sugiro que volte para a escola e termine o ensino básico, para não continuar sendo uma vergonha para o sistema educacional.
Era pura perda de tempo ficar ali jogando conversa fora com ele.
Rebeca Ribeiro simplesmente deu as costas e foi embora.
Depois de conversar com alguns conhecidos do mercado, ela saiu do evento e viu Roberta Lobato esperando por Filipe Cruz do lado de fora.
Filipe Cruz caminhou em direção a ela quase sem hesitar.
Ele tirou o próprio casaco e colocou sobre os ombros de Roberta Lobato.
Rebeca Ribeiro entregou o catálogo do leilão para ela e pediu que escolhesse o que gostasse.
Helena Castro deu apenas uma folheada rápida e devolveu o catálogo, balançando a cabeça freneticamente.
— Qualquer coisinha aqui custa a minha alma. Não tenho dinheiro para isso, não!
— E desde quando, comigo aqui, é você quem paga alguma coisa? Pega a caneta, circula o que gostar e, na hora do lance, é só levantar a mão. — Rebeca Ribeiro empurrou o catálogo de volta para ela.
— Queria tanto que você fosse homem... — suspirou Helena Castro, encantada.
Enquanto ela folheava o catálogo, uma discussão começou do lado de fora da sala VIP.
— Eu sempre fiquei na sala VIP número 9, por que me trocaram de lugar hoje?!
— Vocês sabem quem eu sou?!
— Chamem o gerente aqui agora!
A voz da mulher transbordava prepotência e agressividade.
Helena Castro perguntou, curiosa:
— Quem é? Parece se achar a dona do mundo.
Mas Rebeca Ribeiro reconheceu a voz imediatamente.

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