Ele sabia que era impossível sentir exatamente a mesma dor, mas ainda assim queria refazer os passos que Rebeca Ribeiro havia dado.
Queria sentir na pele o que ela tinha passado.
Mas ele nem sequer havia chegado a ter uma hemorragia estomacal e já se sentia tão mal que mal conseguia respirar.
Então, era justo que Rebeca Ribeiro não o perdoasse.
E era justo que tivessem exigido que ele desaparecesse da frente dela para sempre.
Até Rui Passos, que era apenas um espectador, sentia o clima sufocante.
— Mesmo que você beba até seu estômago sangrar, isso não vai mudar nada.
— Eu sei. — disse Samuel Batista, com a garganta travada.
Remorso tardio não vale de nada.
— E eu não ouso mais pedir o perdão dela.
...
Rebeca Ribeiro viajou com sua equipe para a Cidade N para negociar o IPO da empresa de tecnologia e acabou esbarrando em Pedro Pereira.
Ele estava em um encontro às cegas.
Na ocasião, Rebeca Ribeiro e sua equipe estavam almoçando em um restaurante agradável, e na mesa ao lado estava sentada uma jovem.
Pela aparência, deveria ter acabado de se formar na faculdade. Tinha um olhar puro, ainda não contaminado pela escravidão do mundo corporativo.
Ao que parecia, o pretendente estava atrasado, e ela reclamava ao telefone com os pais, que a pressionavam para casar.
— Se o cara consegue se atrasar logo no primeiro encontro, que tipo de boa pessoa ele pode ser?
— E outra, eu tenho 22 anos! Vocês já estão me empurrando para encontros às cegas, não acham um pouco de exagero? Estão com tanto medo assim de que eu fique solteira?
— Não me venham com esse papo de que ele é um 'bom partido'. O último vocês também disseram que era ótimo, que a família tinha dinheiro e influência, mas o cara era feio demais! Antes de sair de casa, eu até fiquei me consolando dizendo 'beleza não põe mesa'. Mas eu também não posso perder o apetite olhando pra ele, né?!
— Não é que eu seja exigente, só quero alguém que não machuque os olhos! Por que vocês só me arrumam traste? E eu não gosto de homem tão mais velho! Se fosse um pouquinho mais velho, dava até pra ser meu pai!
A voz da garota era vibrante, e ela falava super rápido. Era uma cena bem cômica.
Até Rebeca Ribeiro deu algumas espiadas curiosas.
Quando a equipe de Rebeca já estava terminando a refeição, o tão aguardado pretendente da mesa ao lado finalmente apareceu.
— Srta. Lavínia, peço desculpas pelo atraso. Um problema no trabalho me prendeu e fiz você esperar.
Lavínia levantou a cabeça, pronta para atacar e reclamar sobre a falta de pontualidade do sujeito, já planejando usar isso como desculpa para acabar com o encontro ali mesmo. Mas, ao ver o rosto do homem, ela travou.
Ela ficou encarando-o, como se tivesse perdido a voz.
Depois de se sentar, Pedro Pereira reforçou seu pedido de desculpas:
Lavínia bateu na mesa com entusiasmo.
— Então, assim que terminarmos de comer, vamos no cartório casar! Olhei o calendário antes de sair de casa e vi que hoje é um dia de sorte.
Quando Rebeca Ribeiro e sua equipe saíram do restaurante, Marina Domingos perguntou a ela:
— Tem certeza de que não vai lá cumprimentar o Ministro Pereira?
— Não, ir lá agora seria estragar o clima. — Rebeca Ribeiro sorria, com um brilho no olhar.
Quem diria que ela presenciaria uma cena tão divertida?
Parece que Pedro Pereira também havia encontrado a pessoa certa para ele.
Depois de tantas idas e vindas, todos estavam finalmente encontrando alguém adequado.
Isso era bom.
O que Rebeca Ribeiro não esperava era que, nessa mesma viagem, não apenas encontraria Pedro Pereira por acaso.
Ela também esbarraria em alguém que não queria ver de jeito nenhum.
Filipe Cruz.
O Grupo Cruz também estava participando daquela cúpula de negócios.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta