Era Mariah Cavalcanti.
A atitude de Mariah Cavalcanti era arrogante, afinal, ela tinha cacife para isso.
Mesmo com a funcionária explicando que o Camarote 9 já havia sido reservado por outros clientes naquele dia, ela se recusava a ceder.
— Você é nova por aqui, não é?
Fernanda Diniz, que acompanhava Mariah Cavalcanti, também se intrometeu:
— Esta é a Dona Passos, esposa do presidente do banco Banka e cliente assídua dos leilões de vocês. Ela sempre usa o Camarote 9. Se você realmente não sabe como as coisas funcionam, vá chamar o seu superior.
— Sinto muito, mas hoje realmente não podemos liberar o Camarote 9. — A funcionária exibia uma expressão de total aflição.
Mariah Cavalcanti não quis perder mais tempo discutindo. Pegou o celular e ligou direto para a sua diretora de contas.
A diretora chegou rápido. Seu cargo era superior ao da funcionária, assim como seu nível de acesso.
— Vá resolver isso logo. Esta é a Dona Passos, esposa do presidente do Banka e membro VIP do nosso leilão. — ordenou a diretora.
— Hoje realmente não dá...
Desta vez, até a expressão da diretora escureceu. Ela puxou a funcionária para o lado e sussurrou entredentes:
— O que você está fazendo? Não sabe que essa mulher é uma mina de ouro para nós? A pontuação de consumo dela está no top 5 da nossa casa de leilões!
A funcionária também estava desesperada:
— Claro que eu sei! Mas a pessoa lá dentro... é diferente.
A paciência de Mariah Cavalcanti se esgotou. Ignorando a discussão das duas, ela marchou até a porta e a abriu de solavanco.
Enquanto abria, disse com aquele tom carregado de soberba:
— Quero só ver quem é que tem tanta moral assim para ocupar o meu camarote exclusivo.
Assim que a frase terminou, seus olhos se encontraram com os de Rebeca Ribeiro, que estava lá dentro.
O silêncio engoliu o ambiente por um instante.
A diretora de contas correu até a porta. Quando viu Rebeca Ribeiro lá dentro, a cor sumiu do seu rosto.
Se Rebeca Ribeiro tinha quem a defendesse...
Mariah Cavalcanti também tinha.
A pessoa era Fernanda Diniz.
Ela interveio, num tom morno e cínico:
— Não ouviu a Dona Passos? Ela é VIP aqui, tem direito de preferência.
Helena Castro ia revidar, mas Rebeca Ribeiro ergueu a mão, interrompendo-a.
Os olhos de Rebeca continuavam plácidos, e sua voz soou sem pressa:
— Nunca ouvi dizer que clientes VIP têm direito de preferência.
Outra dondoca rica que acompanhava o grupo aproveitou para alfinetar:
— É normal você não saber, afinal, você quase nunca vem aqui.

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