Mas, vendo que a amiga estava tão animada, Rebeca Ribeiro não teve coragem de estragar o clima e acabou cedendo.
No entanto, ao entrarem, a decepção de Helena Castro foi colossal.
— Não é possível! Por que nenhum deles se parece com os vídeos? Na internet, todos pareciam ter dois metros de altura. Chegando aqui, as pernas deles são mais curtas que as minhas! Isso é propaganda enganosa!
Helena Castro foi ficando cada vez mais indignada.
— Eu vou fazer uma reclamação!
Rebeca Ribeiro riu da situação.
— Eu te avisei para parar de acreditar no TikTok. É tudo base de filtro e efeito especial.
— Todo dia eu caio num golpe diferente... Que cansaço. Acho que nunca mais vou amar na vida. — reclamou Helena Castro, jogada no sofá com uma expressão de quem tinha desistido de viver.
— Vamos embora, então. Voltar para casa e ler uns relatórios é mais produtivo. — Rebeca Ribeiro a puxou pelo braço, levantando-a, e pegou o casaco e a bolsa que estavam no sofá.
Chegaram cheias de expectativa e saíram frustradas.
Sem graça. Muito sem graça.
Helena Castro decidiu colocar aquela boate na sua lista negra.
E a conta deles no TikTok também, claro.
Saindo da sala VIP, ela ainda bufava de raiva.
— Que ódio! Nunca mais vou confiar em homens da internet! É tudo um bando de mentirosos!
O gerente caminhava à frente delas, com uma expressão de puro constrangimento.
— Pedimos mil desculpas por não termos atingido suas expectativas, senhoras. Prometemos melhorar nossos serviços.
Enquanto as duas passavam pelo corredor, a porta de uma das salas VIP ao lado, que tinha acabado de se abrir, bateu com força.
Bang! O estrondo foi alto.
Até Rebeca Ribeiro virou o rosto para olhar.
Mas, como a porta já estava fechada, ela não viu nada.
Dentro da sala.
O coração de Rui Passos quase saltou pela boca.
Aquele susto quase o matou.
Ele estava saindo para atender o celular quando, ao abrir a porta, deu de cara com Rebeca Ribeiro e sua amiga leoa vindo na direção dele.
Seu corpo reagiu no automático: deu um passo para trás e bateu a porta.
Só não calculou a força direito, e o estrondo foi alto demais.
— Apaga. — ordenou ele, com a voz completamente rouca e destruída.
— Samuel, escuta o conselho de um amigo. Para de beber, cara, por favor.
Ele já estava bebendo direto há uma semana. Se continuasse assim, ia acabar morrendo.
O pior é que, durante essa semana inteira, ele quase não tinha comido nada.
Acordava e bebia. Bebia até perder a consciência e apagava.
Quando recobrava um pingo de lucidez, começava a beber de novo.
Como se não quisesse mais viver!
Samuel Batista não respondeu ao apelo. Apenas forçou o corpo a se sentar no sofá e esticou a mão em direção à garrafa ao lado para se servir.
A garrafa estava vazia.
Não caiu nem uma gota.
Ele jogou a garrafa longe e mandou Rui Passos chamar alguém para trazer mais bebida.
— Para de beber, por favor! Samuel! — Rui Passos já estava à beira de um colapso.
— Eu só quero saber... como é a sensação de beber até o estômago sangrar. — murmurou ele.

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