Como se tivesse perdido o juízo, Filipe Cruz acusou Helena Castro com um tom de repreensão feroz.
— Eu esperei por você três horas na porta do hospital hoje de manhã, e mais quatro horas na porta deste hotel esta noite! Eu fiquei te esperando por sete malditas horas, e descubro que você estava por aí com outro homem!
— Você esqueceu que dia é hoje?
Ele soava como um marido profundamente apaixonado, confrontando as traições de sua esposa.
Apenas ouvir o som daquela voz arruinou metade do bom humor que Helena Castro havia acumulado o dia inteiro.
Ela franziu a testa, olhando para o Filipe Cruz que havia surgido do nada.
— Que dia? — ela perguntou, genuinamente confusa.
A atitude de total indiferença dela foi como uma facada em Filipe Cruz.
Ele lançou um olhar gélido e ameaçador na direção de Edivaldo Serra, e seus olhos escureceram.
— Nosso aniversário de casamento civil.
Helena Castro piscou, surpresa, antes de responder usando exatamente o mesmo tom impaciente que ele usava com ela no passado.
— Isso por acaso é alguma data importante? Quem é que comemora uma coisa dessas na nossa idade?
As mesmas palavras, saindo da boca dela, feriam de forma implacável.
— Mas você sempre gostava de comemorar antes!
— Você mesmo disse, isso era antes. Se você não tivesse me deixado plantada na semana passada, já estaríamos divorciados. Talvez hoje eu estivesse comemorando com alegria o meu aniversário de divórcio.
As palavras dela foram como uma marretada em sua cabeça, drenando todas as suas forças.
Ao ver a expressão calma no rosto dela, o arrependimento que ardia dentro de Filipe Cruz foi apagado de repente, como se tivesse levado um balde de água fria.
O espaço vazio em seu peito foi imediatamente preenchido por uma profunda e obstinada frustração.
Ele agarrou o pulso de Helena Castro num movimento desesperado.
— Vem para casa comigo.
Helena Castro tentou recuar com repulsa.
— Aquela casa não é minha.
— Mas você disse antes que aquela era a sua casa! Você decorou tudo com as suas próprias mãos, plantou aquelas suculentas... Se você não cuidar delas, elas vão morrer. E no armário...
Helena Castro tentou se soltar do aperto dele.
Mas ele a segurava com tanta força que seu pulso já estava vermelho.
Ela o interrompeu, com a voz carregada de irritação:
Ele sabia que ela estava falando sério.
Não era medo da polícia que o impedia de continuar, mas sim o pavor de arruinar de vez a frágil conexão que ainda restava entre eles.
Então, ele recuou.
— Entre. — disse Edivaldo Serra para Helena Castro. — Vá descansar.
Helena Castro confirmou com um aceno para Edivaldo Serra. Sem nem sequer lançar um último olhar para Filipe Cruz, ela se virou e entrou no hotel.
Naquela noite, Helena Castro sofreu de insônia.
Tudo por culpa da confusão de Filipe Cruz.
Sem opções, ela pegou o celular e começou a mandar mensagens para Rebeca Ribeiro.
Fazer o quê? Melhores amigas existem justamente para servir de lixeira emocional.
Mesmo sabendo que Rebeca Ribeiro já devia estar dormindo, ela precisava desabafar sobre o comportamento patético daquele embuste.
Ela digitou um textão furioso, xingando ele de todos os nomes possíveis, até sentir o peito mais leve.
Como esperado, Rebeca Ribeiro estava dormindo e não respondeu.
Mas não importava. Desabafar já tinha sido o suficiente para acalmá-la, e não demorou muito para que o sono finalmente a levasse.

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