Ela cozinhava incrivelmente bem.
Filipe Cruz de repente percebeu que sua mente estava completamente dominada por Helena Castro.
Ele forçou aqueles pensamentos para o fundo da mente, levantou-se e subiu as escadas para tomar um banho e dormir.
Ao abrir o armário, a primeira coisa que viu foram os pijamas que ela havia escolhido para ele.
Eram um pouco infantis, mas faziam conjunto com os dela.
Ele sempre detestou aquilo e se recusava terminantemente a usá-los.
E também não deixava Helena Castro vestir o dela.
Sempre que ela tentava pegar o pijama, ele a puxava pela cintura, aproximava os lábios do seu ouvido e sussurrava:
— Você vai acabar tirando tudo de qualquer jeito, então é melhor nem vestir.
Ele preferia que ela não vestisse nada.
Ele amava quando ela estava nua.
Mas, dessa vez, ele pegou o pijama que nunca havia usado e foi para o banheiro.
Assim que entrou, seus olhos foram atraídos para a parede inteiramente revestida por espelhos.
No passado, eles tiveram momentos muito intensos na frente daquele espelho.
Ele adorava prensá-la contra o vidro frio e obrigá-la a dizer o quanto o amava.
E ela nunca escondeu seus sentimentos.
Ela sempre repetia, de novo e de novo, o quanto gostava dele.
E ele, a cada declaração, ia perdendo o controle aos poucos.
Quando disse que havia se apaixonado por ela, ele não estava mentindo.
Talvez tenha sido pelas refeições deliciosas.
Ou pela luz que ela deixava acesa para recebê-lo de volta.
Ou talvez pela força vital daquelas pequenas suculentas, tão destoantes do luxo da mansão.
Ou até mesmo pelo sexo ardente e inesquecível.
De uma forma ou de outra, seu coração bateu por ela de verdade.
Ela também dizia que gostava dele.
Então as coisas entre eles não deveriam terminar assim.
Não deveriam.
Filipe Cruz virou-se bruscamente, desceu as escadas correndo, pulou no carro e acelerou na escuridão da noite.
...
Dar uma volta de carro esportivo realmente espantava qualquer tristeza.
— E você?
Helena Castro se defendeu rapidamente.
— Eu sou alérgica a amor agora. Muito obrigada.
Edivaldo Serra apenas deu uma risada baixa, sem forçar o assunto.
Quando o carro chegou ao hotel, já era quase meia-noite.
Helena Castro havia aproveitado a noite ao máximo e não parava de agradecer enquanto descia.
Edivaldo Serra ergueu a sobrancelha, provocativo.
— Não vai me convidar para subir e tomar um café?
— Vou declinar educadamente. — respondeu Helena Castro.
— Estou brincando. — disse Edivaldo Serra, rindo logo em seguida.
Helena Castro sabia que era brincadeira, mas ainda assim sentiu uma leve pontada de pânico.
Ela acenou, prestes a dizer para ele dirigir com cuidado.
Mas antes que a primeira palavra saísse de sua boca, a voz furiosa e reprimida de Filipe Cruz ecoou atrás dela.
— Helena Castro! Você tem ideia de que dia é hoje?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta