Na verdade, hoje era o aniversário do casamento deles no civil.
Filipe Cruz e Helena Castro nunca tiveram uma cerimônia de casamento, então não celebravam a data da festa.
Mas todos os anos, Helena Castro fazia questão de comemorar o dia em que assinaram os papéis.
Ela sempre tomava a iniciativa. Sabendo o quão ocupado Filipe Cruz era, ela o lembrava com meio mês de antecedência.
Naquela época, Filipe Cruz sempre achava aquilo irritante.
Para ele, essas datas comemorativas não tinham o menor sentido.
Mas sua avó o alertou que as mulheres se importavam muito com esses detalhes.
Por isso, ele cedeu e concordou em passar a data com ela.
Mas, nos últimos cinco anos, ele a deixou plantada quatro vezes.
Na única vez em que compareceu, ele foi embora no meio do jantar, antes mesmo do bolo, porque recebeu uma ligação de Roberta Lobato.
Não era como se Filipe Cruz não tivesse notado o olhar de decepção nos olhos dela.
Ele apenas não se importava o suficiente. Depois, ele mandava seu secretário comprar uma joia cara como pedido de desculpas.
Este ano, ele achou que Helena Castro faria o mesmo de sempre.
Mas ela não mencionou a data em nenhum momento.
Parecia ter esquecido completamente.
E ele, que nunca se lembrava, foi quem recordou.
Filipe Cruz descansou a mão sobre a caixa de veludo ao seu lado.
Lá dentro havia um conjunto de joias de esmeralda que ele encomendou com um mês de antecedência para dar de presente.
Antes, quem escolhia as joias era o seu secretário.
Sempre as peças mais caras e da última coleção das grandes marcas.
Mas, embora Helena Castro as aceitasse, ela nunca usou nenhuma delas.
Talvez ela não gostasse.
Por isso, desta vez, ele fez a encomenda baseada nos gostos dela.
Ele lembrou de uma vez em que a viu encarando um catálogo de leilões, admirando um conjunto de esmeraldas por um longo tempo.
O clima no carro estava pesado. A viagem seguiu em total silêncio.
Estava tão silencioso.
Ele nunca havia reparado em como o lugar parecia vazio.
Tudo estava exatamente como antes, a única diferença era a ausência de uma única pessoa.
Mas a sensação era de um enorme vazio.
Ele se sentou sozinho na sala por um longo tempo, examinando cada centímetro do ambiente com os olhos.
Ele estava se esforçando para encontrar os rastros que ela havia deixado para trás.
Até que seu olhar pousou nos vasinhos de suculentas enfileirados perto da porta de vidro.
Sem ninguém para cuidar delas por tanto tempo, as suculentas já não estavam tão bonitas e alinhadas como antes.
Algumas não suportaram o calor do verão e murcharam na terra seca.
Todas aquelas plantas foram compradas por Helena Castro.
Ela dizia que não tinha talento para jardinagem e que tudo o que plantava morria, exceto pelas suculentas, que ela conseguia manter vivas por pura sorte.
Sempre que ele ia à casa no passado, a encontrava cuidando das plantinhas ou na cozinha, preparando o jantar.

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