Helena Castro sorriu, mas em seus olhos havia apenas desolação.
Ela rejeitou o pedido dele de forma tão ríspida quanto ele mesmo faria.
— Não.
— Você não pode me dar só mais uma chance?
— Não.
Sua recusa foi irredutível.
Na verdade, ela achava tudo aquilo um grande absurdo. Uma piada de mau gosto.
Como ele tinha coragem de agir assim?
Como podia quebrar alguém por inteiro e, no minuto seguinte, perguntar com a maior calma do mundo se merecia outra chance?
Com que direito?
Ele devia tanto a ela. A tinha machucado tanto. O que o fazia pensar que ela iria simplesmente voltar atrás?
— E se... — Filipe Cruz baixou os olhos. Sua voz tremia um pouco, mas seu coração estava em pânico.
Ele nunca imaginou que, mesmo cedendo e engolindo o orgulho, ainda não conseguiria fazê-la mudar de ideia.
Sua garganta apertou, como se uma mão invisível o sufocasse. Por isso, as próximas palavras foram dolorosamente difíceis de pronunciar.
Ele pegou a mão de Helena e a segurou com força, como se agarrasse sua própria vida.
Só quando teve certeza de que ela não conseguiria se soltar, ele continuou:
— E se eu disser que estou apaixonado por você? Você me daria mais uma chance?
Por um segundo, Helena Castro ficou em choque.
Chegou a pensar que estava tendo alucinações.
Filipe Cruz dizendo que a amava?
Que piada absurda.
Ela soltou uma risada amarga.
— Mas eu não amo mais você.
O quarto do hospital mergulhou em um silêncio mortal por um longo tempo.
Assim que Filipe Cruz afrouxou o aperto, Helena Castro puxou a mão de volta, sem a menor hesitação.
Ele ficou encarando sua própria palma vazia, em choque, sentindo o calor residual dela desaparecer aos poucos.
— Mas você disse que me amava... — murmurou ele, atônito.
Então o amor podia mesmo desaparecer.
Essa foi a segunda vez que Filipe Cruz sofreu um golpe tão devastador na vida.
Tudo o que ele queria era fugir, ficar sozinho e tentar organizar o caos em sua mente.
Helena murmurou uma concordância desanimada, claramente abatida.
— O que foi? Por que está tão para baixo?
Helena Castro olhou para o teto branco do quarto.
— Só estou achando tudo muito cansativo. Sem sentido.
— Desabafa. O que foi que perdeu o sentido?
Afinal, melhores amigas serviam para isso, não é? Para despejar o lixo emocional.
— Sabe aquela sensação? Tem gente que é como um cachorro de rua. Eles invadem a sua vida por pura curiosidade e um encanto passageiro, abanando o rabo para te agradar. Mas na hora em que você finalmente cede e tenta fazer um carinho, o cachorro te morde e foge. E o pior? Sou eu que tenho que tomar cinco doses de vacina antirrábica para não morrer.
Rebeca Ribeiro entendeu na mesma hora. Era uma indireta clara para Filipe Cruz.
— O que o idiota do Cruz aprontou hoje?
Helena Castro então contou sobre a confissão absurda que ele tinha acabado de fazer.
E suspirou:
— Ninguém consegue prever as oscilações desse homem. É mais inconstante que o vento.
— E o que você achou disso? — Rebeca Ribeiro só se importava com o que passava pela cabeça de Helena.
Os outros que se danassem.
— Mandei ele sumir da minha frente. Quem é que precisa dessa palhaçada de quente e frio?

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