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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 861

A atmosfera no quarto ficou densa num piscar de olhos.

Percebendo que o clima estava péssimo, o assistente de Edivaldo Serra inventou uma desculpa e saiu de fininho.

Afinal, ele era um estranho e não tinha nada que ficar ouvindo briga de casal.

Assim que o assistente fechou a porta, a expressão de Helena Castro mudou completamente.

— Se as minhas palavras são desagradáveis, é porque eu não quero falar com você. Se a minha cara não é das melhores, é porque eu não quero olhar para a sua. É tão difícil de entender? — Helena o encarou com frieza. — Ou será que eu não fui clara o suficiente? Na próxima vez, eu tatuo "não é bem-vindo" na minha testa, que tal?

Filipe Cruz sentiu um baque com o sarcasmo afiado. Aquilo o deixou sem ar e sem ação.

Num esforço raro, ele engoliu a raiva que começava a ferver e estendeu-lhe o buquê de flores que trouxera.

— Isso é para você. Tulipas roxas, as suas favoritas. Fui comprar especialmente para você.

— Não preciso. — A recusa de Helena Castro foi seca e direta. Ela apontou para as flores sobre o móvel ao lado. — Eu já tenho outras.

Gostar da flor não importava se o dono do presente fosse a pessoa errada.

Além do mais, ninguém precisava de dois presentes iguais.

Muito menos de sentimentos duplicados.

— Quem te deu essas flores? — O olhar de Filipe Cruz varreu o buquê idêntico ao dele, faiscando de fúria.

Helena Castro estava sem paciência para aquele tipo de ciúme ridículo. Bateu os talheres na mesa com força e lançou-lhe um olhar gelado:

— Isso não é da sua conta.

— Foi o Edivaldo Serra, não foi? — Os olhos de Filipe Cruz escureceram, e ele deu um sorriso que não chegou aos olhos.

Tinha que admitir que a intuição do desgraçado era boa.

Helena Castro não se deu ao trabalho de negar.

— E daí? Só você tem o direito de mimar os outros e eu tenho que ficar isolada do mundo? Não seja tão hipócrita. Somos jovens e cheios de vida, você não esperava que eu fosse passar o resto dos meus dias num mosteiro, não é?

— Helena Castro, eu já te avisei. Fique longe do Edivaldo Serra. Você sabe muito bem que isso me tira do sério.

Filipe Cruz parecia coberto por uma sombra densa de ameaça.

Helena soltou uma risada de escárnio.

— Eu também te avisei para parar de se arrastar atrás da Roberta Lobato, e você me deu ouvidos?

Ela o encarou frente a frente, sem piscar e sem recuar.

— E mais uma coisa: o que me importa se você está irritado? Você acha mesmo que é tão importante assim?

No entanto, toda essa compreensão não serviu para nada diante da recusa fria e categórica de Filipe Cruz.

— Não.

— Eu não vou me divorciar de você.

A paciência de Helena Castro evaporou de vez.

— E por que não?! Você não adora a Roberta Lobato? Vai ter coragem de deixar o amor da sua vida escondida nas sombras para sempre?

Filipe Cruz abaixou o olhar escuro.

— A minha relação com ela não é o que você pensa. Em resumo, eu não vou me divorciar.

Ele puxou uma cadeira, sentou-se ao lado da cama de Helena Castro e disse, com um tom de voz assustadoramente sério:

— Helena Castro, vamos desistir desse divórcio, sim?

— Eu já decidi mandar a Roberta para o exterior. Nós mal vamos nos ver daqui para frente. Ela nunca mais vai ser um problema entre nós. Então, vamos esquecer o divórcio, está bem?

O tom de voz dele era genuíno e quase suplicante.

Se ela não tivesse acabado de presenciar a cena romântica e protetora dele com Roberta Lobato no corredor, talvez até tivesse se emocionado.

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