Talvez a recusa fria de Helena Castro naquele dia tivesse ferido o frágil ego do jovem mestre da família Cruz.
Nos dois dias seguintes, ele não deu as caras para irritá-la.
Helena Castro aproveitou a paz com gosto.
Assim que o prazo estipulado por sua avó acabou, ela correu para assinar os papéis da alta.
Enquanto esperava na fila, Edivaldo Serra ligou para perguntar o horário, avisando que passaria para buscá-la.
— Não precisa se incomodar com algo tão pequeno, presidente Edivaldo. Eu pego um táxi. — disse Helena Castro.
Edivaldo Serra usou a mesma desculpa de sempre.
— Foi um pedido especial da Rebeca. Se eu não obedecer, o que acontece se ela reclamar para o nosso mestre?
— Você sabe que ela é a pupila favorita dele.
Helena Castro achou graça.
— Está bem. Para que você cumpra sua missão com sucesso, farei o sacrifício de entrar no seu carro.
— Agradeço a vossa indulgência, Sua Alteza. — brincou Edivaldo Serra.
O coração de Helena Castro deu um leve solavanco.
Sua Alteza...
Antes, durante as férias na Ilha Jandirá, ela havia aproveitado uma viagem de negócios da Rebeca Ribeiro para beber escondida.
E acabou completamente bêbada.
Ela fez um estrago na adega particular de Edivaldo Serra, onde ele guardava seus vinhos mais raros.
Quando Edivaldo Serra a encontrou, ela já estava cantando e dançando.
Ela até subiu na mesa, apontando para ele com ar de superioridade.
— Você tem que dizer: "Saudações, Sua Alteza!"
Com medo de que ela caísse, Edivaldo Serra apenas entrou na brincadeira.
— Saudações, Sua Alteza.
Naquele momento, ela riu até perder o fôlego.
Ela não imaginava que Edivaldo Serra ainda lembraria das bobagens que ela disse quando estava bêbada.
Aquilo deixou Helena Castro um pouco sem graça.
Ainda bem que estavam no celular, e ele não podia ver seu rosto corado.
Edivaldo Serra sabia a hora de parar.
— Te vejo daqui a pouco. — disse ele, após a provocação.
— Até daqui a pouco. — respondeu Helena Castro.
— Ela é a única filha que eu e seu tio temos! Você quer que a gente morra sozinho e sem amparo?
Helena Castro travou.
Ela ficou genuinamente surpresa.
Ela achava que Filipe Cruz tinha dito aquilo da boca para fora. Não esperava que fosse verdade.
O que diabos Filipe Cruz estava tentando fazer?
Por que ele simplesmente não assinava o divórcio e ficava com Roberta Lobato de uma vez?
Eles ficariam felizes, e ela também.
Ah, claro. Até mesmo o casal de parasitas dos seus tios ficaria feliz.
Se era uma solução perfeita para todo mundo, por que Filipe Cruz não facilitava as coisas?
Ele insistia em fazer todo mundo sofrer.
— Se você tem um problema, vá cobrar de quem te causou. Não venha latir para cima de mim. — Helena Castro não tinha paciência para lidar com ela.
Lorena estava espumando de raiva.
— É óbvio que foi ideia sua, e você ainda tem a cara de pau de negar! Você não suporta nos ver felizes!
— Fomos nós que te tiramos daquele orfanato. Criamos uma verdadeira cobra!

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