O tom de voz dele transbordava ansiedade.
Helena Castro se apressou em explicar, com medo de que o assistente sobrasse na história:
— Eu que insisti para dar uma volta sozinha. Além disso, sou bem grandinha, o que poderia me acontecer?
Ao vê-la voltar sã e salva, Edivaldo Serra soltou um longo suspiro de alívio.
— Não precisa ficar tão tenso. — disse Helena Castro, dando-lhe um sorriso.
Edivaldo Serra fez uma pausa antes de se explicar:
— A Rebeca me encarregou de cuidar bem de você. Ela disse que se algo te acontecesse, a culpa seria toda minha.
— Ah, ela exagera. — riu Helena Castro.
De repente, o olhar dela foi atraído por um enorme buquê de tulipas roxas ali perto.
Eram as suas flores favoritas.
Na sua cor favorita.
Ela olhou para Edivaldo Serra, com os olhos brilhando de surpresa:
— Você que comprou?
— Comprei por acaso. — respondeu Edivaldo Serra, com uma expressão levemente desconfortável.
Por sorte, a atenção de Helena Castro estava toda voltada para o buquê, e ela nem percebeu a hesitação dele.
Ela pegou as flores com o coração transbordando de alegria.
— São as minhas preferidas.
Edivaldo Serra aproveitou a deixa para dizer:
— Que coincidência, então.
Mas ela nem imaginava que, naquele exato momento, as palmas das mãos dele estavam suando frio.
Neste mundo, não existiam coincidências absolutas.
Todas as coincidências eram, na verdade, atos milimetricamente calculados.
Em uma entrevista que havia dado há muito tempo, Helena Castro mencionou que sua flor preferida era a tulipa roxa.
Isso foi quando ela ainda não era famosa.
Depois de perceber que os fãs sempre lhe mandavam flores e presentes, ela parou de falar sobre as coisas de que gostava, com medo de que gastassem dinheiro à toa com ela.
Por isso, ela acreditou facilmente na desculpa de Edivaldo Serra.
Helena Castro estava instalada em um quarto VIP, que obviamente vinha equipado com vasos e outras comodidades.
Ela tratou logo de colocar as flores em um vaso com água, admirando-as com um sorriso no rosto.
Da mesma confeitaria de ontem à noite.
Helena Castro deu uma olhada no endereço da embalagem. Ficava do lado completamente oposto ao Mesa Fina.
Suas mãos congelaram no ar por um segundo.
Mas logo empurrou aquela tempestade de emoções para o fundo da mente e voltou a comer.
Ela ainda estava na metade da refeição quando Filipe Cruz chegou.
Helena Castro perdeu a fome no mesmo instante.
Ela continuou comendo, sem sequer olhar para o rosto de Filipe Cruz.
Mas Filipe Cruz, ao ver que ela já estava almoçando, franziu a testa e disse:
— Se você já tinha pedido comida, deveria ter avisado a avó. Ela mandou alguém trazer comida para você, que desperdício.
Helena Castro tomou um gole de sopa, sentindo o estômago aquecer, e respondeu com uma calma afiada:
— Por que seria um desperdício? Você pode muito bem levar para a Roberta Lobato. Ela deve estar morrendo de vontade de comer a comida da família Cruz.
O rosto de Filipe Cruz endureceu, e a fúria irracional subiu à sua cabeça mais uma vez.
— Você realmente precisa falar comigo nesse tom?

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