Se fosse para competir quem traía melhor, ela estava disposta a jogar!
Então, ela perguntou diretamente a Edivaldo Serra:
— Você tem coragem de me beijar?
Edivaldo Serra ergueu uma sobrancelha, com um sorriso de canto de boca, e perguntou:
— Que tipo de surto é esse?
— Está com medo? — Ela se aproximou, as bochechas coradas pelo álcool.
Edivaldo Serra a afastou gentilmente e respondeu sem pressa:
— Eu não me envolvo com mulheres casadas.
— Olha só, um homem de princípios. — A pouca coragem de Helena Castro se esvaiu com a rejeição. Ela olhou em volta, sem graça. — Vou procurar outra pessoa, então.
O homem ao seu lado, que bebia tranquilamente, parou o que estava fazendo.
Se ela ia beijar alguém de qualquer jeito, por que esse alguém não poderia ser ele?
Foi a primeira vez que Edivaldo Serra jogou seus princípios no lixo.
E a primeira vez que rebaixou seu próprio valor para se tornar a presa dela.
Ele largou o copo, afrouxou a gravata com uma mão e, antes que Helena Castro pudesse levantar para procurar seu próximo alvo, segurou o queixo dela e a beijou com vontade.
O ronco de um estômago quebrou o silêncio no quarto do hospital.
Helena Castro sentiu o rosto queimar de vergonha.
Edivaldo Serra ergueu a sobrancelha e perguntou:
— Com fome?
— ...Um pouco.
Ela não tinha comido nada o dia todo.
Estava sobrevivendo apenas à base do soro na veia.
— O que você quer comer?
Helena Castro pensou um pouco e respondeu:
— Bolo.
Ela queria comer algo doce.
Só precisava de um pouco de açúcar.
Edivaldo Serra ligou para o seu assistente e mandou que ele fosse a uma confeitaria muito famosa na Cidade N comprar bolo.
Ele até sabia qual era a especialidade da casa.
Helena Castro se encolheu debaixo das cobertas. Pensou que, provavelmente, alguma ex-namorada dele adorava bolos para que ele soubesse de tantos detalhes.
Se ela continuasse agindo de forma esquisita, logo não seriam nem mais amigos.
Helena Castro conteve suas emoções e deitou-se.
Edivaldo Serra continuava olhando para o celular, digitando respostas de vez em quando.
Na tela do aplicativo de mensagens, Rebeca Ribeiro, ao saber que ninguém estava com Helena Castro no hospital, pediu para Edivaldo Serra contratar um cuidador de confiança.
Edivaldo Serra respondeu: "A essa hora é difícil achar alguém. Vou fazer esse sacrifício e cuidar dela."
Na manhã seguinte, o assistente de Edivaldo Serra trouxe o café da manhã.
Edivaldo Serra esperou Helena Castro terminar de comer, antes de se levantar. Disse que precisava voltar para a empresa para uma reunião e deixou o assistente ali para fazer companhia a ela.
Tomando soro na cama, Helena Castro estava entediada e puxou assunto com o assistente.
— Aquele bolo que você trouxe ontem à noite estava muito bom. Tem o contato da confeitaria? Quero pedir de novo quando me der vontade.
O assistente enviou o contato para o celular de Helena na mesma hora e comentou:
— É a confeitaria favorita do Diretor Serra. Ele gosta tanto de lá que até virou sócio.
— O Diretor Serra gosta de doces? — Helena Castro ficou surpresa.
— Sim. — O assistente acrescentou. — Ah, e a loja só abre de dia. É impossível pedir à noite. A não ser que seja para o Diretor Serra, claro.
Então, quem gostava de doces era ele, e não suas acompanhantes?

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