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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 856

Helena Castro piscou devagar até recobrar os sentidos e percebeu que estava num quarto de hospital.

Havia um acesso de soro preso às costas da sua mão. A vovó Cruz estava sentada ao lado da cama, observando-a com uma expressão de pura angústia.

Filipe Cruz estava de pé logo atrás da idosa, com o semblante frio e endurecido.

Mas o detalhe que mais prendeu a atenção de Helena Castro foi a marca vermelha de um tapa na bochecha dele.

Estava bem nítida.

Provavelmente a autora do tapa era a vovó. Mais ninguém no mundo teria coragem para bater nele.

Desconfortável sob o olhar dela, Filipe Cruz virou o rosto para o lado.

— Vou chamar o médico.

A vovó Cruz o ignorou por completo. Toda a sua atenção estava voltada para a neta postiça. Ela segurou a mão de Helena e murmurou com a voz embargada:

— Minha menina, por que você não me contou que ele estava te maltratando?

— A culpa é minha. Eu deveria ter arrastado aquele marginal até o cartório pelo colarinho. Achei que ele fosse cumprir a palavra de homem e deixar vocês terminarem em paz. Eu não quis me meter, mas quem diria que ele ia agir feito um animal!

A vovó Cruz ficava cada vez mais triste enquanto falava. Seus olhos já marejavam.

— Mas independentemente de qualquer coisa, você não devia ter negligenciado a sua saúde. O médico disse que você teve uma crise de hipoglicemia. Disse que você passou o dia inteiro sem comer. Você já é tão magrinha!

Então ela tinha desmaiado de fome.

Helena Castro não tinha a menor lembrança daquilo.

O médico entrou para examinar Helena Castro e avisou que ela estava com um pouco de febre. Precisaria passar a noite ali, em observação.

Não era à toa que sua cabeça latejava daquele jeito. A culpa era da febre.

Ao ouvir isso, a avó ficou ainda mais apavorada.

— Então eu vou passar a noite aqui com você.

Como Helena Castro poderia deixar uma senhora de oitenta anos dormir num hospital só para fazer companhia a ela?

Ela recusou repetidas vezes, insistindo que era apenas um resfriado leve. Nada grave.

Ela conseguia muito bem se cuidar sozinha.

E, além disso, estavam num hospital. Havia médicos e enfermeiras de plantão.

Mas a vovó Cruz era dura na queda. No fim, ela cedeu um pouco e decretou que Filipe Cruz ficaria ali para cuidar da esposa.

Um cuidado mais inútil, impossível.

Mesmo assim, Helena achou melhor enrolar a velha para mandá-la de volta para casa logo.

Assim que a porta se fechou e a idosa foi embora, a máscara de Helena Castro caiu. Com a cara totalmente fechada, foi direta ao ponto com Filipe Cruz:

— Ninguém precisa de você aqui. Pode ir embora.

Filipe Cruz mergulhou em um silêncio de alguns segundos antes de perguntar:

Ficou um tempo encarando o nada, mas logo as pálpebras pesaram de novo.

Estava exausta. Ela realmente precisava de uma noite inteira de sono.

Mas seu sono foi agitado, infestado de pesadelos.

No sonho, sua tia a acusava injustamente de roubar uma joia e vendê-la. Ela negou até a morte.

Como punição, seu tio a trancou em um quarto escuro, sem comida e sem água.

Ela estava morrendo de fome e de sede. Sua garganta estava tão seca que parecia arder em chamas. Tudo que conseguia murmurar era:

— Água... água... me dá água...

Justo quando sentiu que estava à beira de morrer desidratada, alguém derramou um filete de água morna em seus lábios.

Ela bebeu avidamente, engolindo em goles grandes e desesperados.

A garganta que ardia em brasa finalmente foi salva.

Sua consciência foi sendo puxada para fora das garras do pesadelo.

— Acordou?

Ela ouviu uma voz muito familiar.

E não era de Filipe Cruz.

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