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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 855

Ele ficou plantado onde estava, observando Helena Castro caminhar em direção à cortina de chuva.

Várias vezes teve o impulso de chamá-la de volta, mas conhecia o gênio da esposa muito bem.

A única coisa que podia fazer era assistir de braços cruzados enquanto a silhueta dela desaparecia lentamente.

Até que, quando estava quase a perdendo de vista, a expressão de Filipe Cruz mudou drasticamente. Ele disparou sob a chuva, correndo em direção ao corpo que acabara de desabar no chão.

...

Helena Castro teve um sonho muito longo.

No sonho, ela via seu pai e sua mãe, a quem não encontrava havia tanto tempo.

Ela mesma ainda era apenas uma garotinha.

Seu pai tirava de uma caixa um elegante conjunto de joias de esmeraldas e presenteava sua mãe.

Sua mãe estava com os olhos brilhando de alegria.

A pequena Helena Castro também adorou aquilo e esticou as mãozinhas para tentar pegar, mas foi levantada por um abraço carinhoso do pai.

Ele sussurrou para ela:

— Isto aqui é um presente do papai para a mamãe. A nossa princesinha não pode mexer. Se quebrar, a mamãe vai ficar muito brava.

— Papai, eu também quero. — A pequena Helena também era fascinada por tudo o que brilhava.

O pai deu um peteleco de leve no nariz dela e a paparicou:

— Quando a nossa princesinha for casar, o papai vai te dar um conjunto de joias ainda mais bonito. O que acha?

A pequena Helena Castro fez bico:

— Então eu quero casar agora mesmo. Papai, vai logo me arrumar um marido.

O casal caiu na gargalhada com a resposta da menina.

No fim, conseguiram distraí-la com um pedaço de doce.

A pequena Helena Castro saiu andando, toda feliz com seu docinho na mão. Quando chegou à porta, virou-se para dizer algo à mãe e flagrou o pai fechando o colar no pescoço dela.

Ela saiu de fininho do quarto, saltitando em direção ao jardim.

Sua ideia era saborear aquele pedaço de doce balançando no balanço do quintal.

Para sua surpresa, o balanço já estava ocupado naquele dia por um menininho muito bonito.

Ela ficou até meio abobada olhando para ele, e não conseguiu se conter:

— Você quer ser o meu marido?

Afinal, o pai tinha prometido que lhe daria joias maravilhosas assim que ela se casasse.

Mas o menino lançou para ela um olhar de puro nojo:

Ainda teve o descaramento de dar uma bronca:

— Por que você é tão egoísta? Ela é sua prima!

A pequena Helena quis revidar e brigar pelo que era seu, mas percebeu, horrorizada, que o rosto do garotinho envelheceu rapidamente, tomando a forma de um homem adulto.

Ao seu lado, Roberta Lobato também cresceu num piscar de olhos.

— Filipe Cruz... — A pequena Helena soltou um grito apavorado.

Roberta Lobato empurrou Helena, que ainda estava no corpo de uma criança, e deu uma risada sádica:

— Tudo o que for seu, eu vou roubar. Inclusive o seu homem.

Filipe Cruz a envolveu com os braços, os dois em uma intimidade asquerosa.

Ele ainda baixou a cabeça e murmurou, cheio de dengo:

— Eu sempre fui seu. Ninguém nunca vai conseguir me roubar de você.

— Um lixo de homem com uma vagabunda! — Helena Castro usou todas as forças do seu corpo para berrar.

Aos poucos, sua consciência foi emergindo daquele pesadelo.

Antes mesmo que sua visão focasse, ouviu a voz trêmula de sua avó bem perto do seu ouvido:

— Querida, você teve um pesadelo?

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