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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 854

Hmph.

É claro que os dois estavam juntos!

Helena Castro arrancou o celular da mão do assistente. Sua voz saiu cortante:

— Filipe Cruz, eu não dou a mínima para qual foi a desculpa esfarrapada que a Roberta usou pra te arrastar pra aí hoje. Mesmo que ela esteja ameaçando pular do prédio, eu exijo que você venha para o cartório agora mesmo!

Filipe Cruz não respondeu, mas sua respiração estava pesada, como se ele estivesse se contendo para não explodir.

— Faltam quarenta minutos. Você tem que estar aqui! — Helena Castro alertou.

— Foi você quem vazou a notícia, não foi? — O tom de Filipe Cruz era de puro inquérito.

No fim, ele não conseguiu se segurar e a colocou contra a parede.

Helena Castro sabia perfeitamente que ele estava falando do escândalo de Roberta como amante.

Naquele instante, ela teve uma vontade enorme de se defender.

Mas percebeu que, se ele estava fazendo aquela pergunta, era porque no fundo ele já tinha a resposta.

Ele já a havia condenado.

Qualquer tentativa de explicação seria perda de tempo.

A preguiça de discutir tomou conta dela.

Apenas devolveu a pergunta:

— Você vai assinar esse divórcio ou não?

...

Quando Helena Castro voltou ao cartório, faltavam apenas dez minutos para o encerramento do expediente.

Ela se sentou no mesmo lugar de antes e fixou os olhos na porta de entrada.

Os minutos escorreram lentamente.

A equipe nos guichês já começava a arrumar as coisas para ir embora.

O coração dela foi afundando, escurecendo aos poucos.

Até que o relógio bateu as seis da tarde em ponto.

O último resquício de luz nos olhos dela se apagou por completo.

Um mês inteiro de expectativa havia acabado de desmoronar em cinzas.

Ela ficou ali sentada por mais um bom tempo, até conseguir reunir forças para se levantar e sair.

Quando passou pelas portas do cartório, viu que estava chovendo.

A chuva de outono na Cidade N era úmida e cortante. O vento gelado varria a rua, fazendo o peito doer a cada lufada de ar.

Um Bentley preto parou bruscamente em frente ao prédio.

Filipe Cruz desceu do carro, caminhando a passos largos em direção à entrada.

Quando avistou Helena Castro parada na escadaria, ele estancou de repente.

Ela já havia tomado um pouco de chuva. Seus cabelos estavam grudados no rosto pela umidade.

Ou seja: ele escolheu Roberta Lobato e a abandonou.

Perfeito.

Mas não era assim que ele sempre fazia suas escolhas?

Quando a situação exigia escolher entre as duas, Roberta Lobato sempre vinha em primeiro lugar.

Por isso, com um sorriso debochado nos lábios, ela disparou:

— E aí? Ela morreu?

— Por mais que vocês não se deem bem, ela continua sendo sua prima. Tem como você não ser tão...

A palavra "venenosa" rolou pela ponta da sua língua, mas ele acabou engolindo em seco e não disse.

Mas Helena Castro completou a frase por ele:

— Venenosa? Você fala como se estivesse me conhecendo agora. Eu sempre fui esse monstro sem coração.

— Não foi isso que eu quis dizer.

A chuva começava a engrossar, e o casaco dela já estava completamente encharcado. Filipe Cruz tentou segurá-la pelo braço.

— Vamos para casa primeiro. A gente conversa lá.

Mas, mais uma vez, Helena Castro se esquivou.

Os dedos de Filipe Cruz agarraram apenas o vazio, cortados por uma rajada de vento frio.

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