Helena Castro estava revoltada.
Ela estava decidida a se divorciar de Filipe Cruz naquele exato dia. Ninguém seria uma pedra no seu caminho para a liberdade.
Nem mesmo Roberta Lobato!
Por isso, ela ligou direto para Roberta Lobato.
Roberta demorou um pouco para atender e, antes mesmo que Helena Castro pudesse dizer uma palavra, já se fez de vítima, disparando as acusações:
— Foi você que vazou aquilo, não foi? Por que você sempre faz questão de me humilhar? Você já roubou os meus pais, por que precisa destruir a minha vida também? O que a família Lobato fez de tão ruim pra você?
— Que baboseira é essa que você está falando? — Helena Castro achou aquilo um delírio total. — O Filipe Cruz está aí com você? Manda ele me ligar agora!
Do outro lado da linha, Roberta Lobato parecia não entender a língua portuguesa:
— Helena Castro, você só vai ficar satisfeita quando me levar à morte?
O humor de Helena Castro já estava péssimo. Ela não tinha paciência para aquele showzinho barato.
— Faz um favor, antes de morrer, avisa pro Filipe Cruz me retornar a ligação!
— Helena Castro, se eu morrer, a culpa vai ser toda sua! — Roberta Lobato continuou com o drama desconexo.
Helena Castro perdeu a linha de vez:
— Então morre logo de uma vez e para de roubar o nosso oxigênio!
Já chegava!
O dia que ela mais esperava na vida estava sendo arruinado por aquele casal de lunáticos.
Helena Castro reprimiu a fúria que subia pelo peito e tentou ligar para Filipe Cruz mais algumas vezes.
Nenhuma chamada foi atendida. Até que o celular dele deu desligado. Não chamava mais.
Teimosa, ela continuou esperando no cartório.
Da manhã até a tarde.
O movimento no cartório era constante.
Ela testemunhou inúmeros casais apaixonados finalmente oficializando sua união.
Observou, uma por uma, as fotos tiradas com sorrisos radiantes na frente do prédio.
Pois é. O dia do casamento deveria ser uma data inesquecível.
Mas quando ela e Filipe Cruz assinaram os papéis, ele manteve uma expressão gélida o tempo todo.
Quem dera uma foto comemorativa. Até a foto oficial do registro foi tirada de qualquer jeito.
Na imagem, os dois pareciam estar a quilômetros de distância um do outro.
Na hora do clique, o fotógrafo implorou para que chegassem mais perto.
Pediu para ele sorrir.
Disse que aquele era um momento para a vida toda.
Mas Filipe Cruz se recusou terminantemente e, no fim, ainda deu um esporro no fotógrafo por ser intrometido demais.
Helena Castro voou o mais rápido que pôde até o Grupo Almeida.
Desta vez, a recepcionista não a impediu.
Helena Castro subiu direto.
Mas, de novo, deu de cara com a porta.
O assistente disse:
— O Diretor Cruz saiu de manhã e não voltou mais. Não conseguimos contato com ele.
— Vocês tentaram ligar para a Roberta Lobato? — perguntou Helena Castro.
A expressão do assistente vacilou:
— Ainda não.
— Ligue agora. — Helena Castro estava correndo contra o tempo.
O assistente discou o número de Roberta Lobato sob pura coerção.
Assim que a chamada foi completada, Helena Castro disparou ali do lado:
— Manda ela passar o telefone pro Filipe Cruz! É um assunto urgente!
O assistente engoliu em seco, constrangido, e murmurou:
— Foi o Diretor Cruz quem atendeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta