Ela só queria resolver logo o assunto principal.
Mas Filipe Cruz continuava fugindo do divórcio e fez questão de enfatizar.
— O médico disse que a saúde dela está frágil. A pressão dela está alta. Ela não pode passar por emoções fortes. Por isso, sobre o divórcio...
Helena Castro não o deixou terminar e o cortou sem dó.
— Primeiro, o acordo de divórcio. O que exatamente você quer mudar? Fala logo, porque o Dr. Farias vai encerrar o expediente daqui a pouco.
Apesar de ser um divórcio amigável no papel, Rebeca Ribeiro tinha avisado que ela precisava ficar esperta.
Qualquer mudança na papelada, ela deveria consultar Isaque Farias.
Ele era um advogado experiente, e ela não podia correr o risco de cair nas armadilhas de Filipe Cruz.
Afinal, ele já tinha antecedentes com contratos cheios de entrelinhas.
A armadilha do contrato de sigilo matrimonial era prova disso.
Quando ouviu o nome de Isaque Farias, o rosto de Filipe Cruz endureceu.
Nesses vinte e nove dias, ele não havia procurado Helena Castro nem uma vez. Estava esperando que ela esfriasse a cabeça.
Até aquele momento, ele acreditava fielmente que ela só estava fazendo um drama para que ele cedesse.
Mas ele esperou os vinte e nove dias inteiros, e Helena Castro sumiu do mapa.
Não mandou nem um simples oi.
Ela parecia ter colocado uma pedra sobre o casamento.
Filipe Cruz tomou um gole do café à sua frente.
O café sem açúcar era absurdamente amargo. Amargou a garganta dele.
Mesmo assim, ele tomou quase meia xícara antes de encará-la e perguntar.
— Você me pediu o divórcio por causa da Roberta? Se for isso, eu posso tentar vê-la menos de agora em diante. Você não precisa fazer todo esse escândalo por causa dela. Entre mim e ela não existe nada do que você está pensando.
— Pera aí, corta essa. — Helena Castro fez um gesto de irritação com a mão.
— Eu não estou me divorciando por causa da Roberta Lobato, nem por causa de mais ninguém. Eu só não quero mais ter nenhum tipo de vínculo com você. Simples assim.
A voz de Helena Castro era firme, e seus olhos mostravam que não havia espaço para negociação.
O coração de Filipe Cruz deu um solavanco, e um pânico irracional tomou conta de seu peito.
Mas durou apenas um segundo.
Ele sufocou aquela emoção estranha e seu rosto escureceu mais uma vez.
A última gota da paciência dela evaporou. Ela não ia ficar ali nem mais um segundo.
Levantou da cadeira de uma vez.
Antes de virar as costas, fez questão de avisar:
— Amanhã, no cartório.
Deu dois passos e parou de repente.
A mão de Filipe Cruz, que secava o café, congelou.
Ela... se arrependeu?
Ele mal teve tempo de sentir um alívio.
Helena Castro virou o rosto levemente e disparou:
— Se você não aparecer, é um canalha covarde!
E, sem olhar para trás nenhuma vez, saiu marchando pela porta da cafeteria.
Filipe Cruz ficou ali, acompanhando cada passo dela com os olhos, vendo-a sair de sua vida com uma firmeza absoluta.

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